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O secretário-geral da Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC), Robalo de Almeida, criticou o atual mecanismo de cobrança, que considerou como “não adequado ao rent-a-car” e “muito desagradável para quem nos visita”.

O atual sistema obriga cada cliente de uma rent-a-car a pagar as portagens numa estação CTT nas 48 horas seguintes à última passagem num pórtico de uma antiga SCUT, uma vez que os automóveis em causa não têm identificadores.

“É evidente que um turista não vai ficar mais dois dias em Portugal, adiar o seu avião e ficar mais dois dias no hotel só para pagar as suas despesas com portagens nos CTT”, ironiza Robalo de Almeida.

Na falta de pagamento, as empresas em causa são notificadas para identificar qual o condutor em falta, que deverá ser notificado, por carta, no seu domicílio no país de origem, situação que o dirigente da ARAC classifica de “muito desagradável”.

Robalo de Almeida faz ainda notar que “essas notificações ocorrem seis meses ou um ano depois das passagens, quando o turista provavelmente já nem se lembra do que aconteceu durante essas férias, e acaba por se interrogar ‘mas afinal que país é aquele?’”.

Habituado a questões e comentários parecidos, em que os seus clientes “manifestam toda a sua indignação”, Honório Teixeira, administrador da rent-a-car algarvia Visa Car, lamenta que o sistema não deixe pagar quem o queira fazer e fala de “um mau serviço ao cliente e uma péssima imagem para o país”.

Como forma de minimizar o problema, a rent-a-car com sede em Vilamoura propõe-se ser ela a pagar as portagens, mas para isso pede aos clientes “que andem de papel e caneta na mão a apontar os pórticos por onde passam e os seus valores, para que depois de entregarem o carro seja a própria empresa a ir aos CTT pagar as despesas”.

Honório Teixeira sublinha que essa solução pressupõe uma relação de confiança com o cliente e implica também a perda de horas de trabalho: “Todos os dias um colaborador nosso vai a uma estação de correios e chega a perder duas horas, porque em média temos as portagens de cerca de 100 clientes para pagar diariamente”, garante o empresário.

“Só agora começam a chegar os primeiros casos de pedidos de informação sobre passagens não pagas, mas daqui para a frente será mais uma carga de trabalhos”, lamenta o empresário, também dirigente da Associação de Rent-a-Car do Algarve, que tem cerca de 500 viaturas na sua frota.

O caso do Algarve, cujo aeroporto chega a contar com 1.500 carros de aluguer sem condutor na época alta, é o que mais preocupa o secretário-geral da ARAC, pois Robalo de Almeida sublinha que “o mês de junho é já amanhã” e recorda que desde há dois anos que a associação chama a atenção das autoridades competentes para o problema.

“Só queremos um sistema expedito, em que o turista visite o País, fique satisfeito e tenha umas boas férias e no regresso se preocupe em chegar a horas ao avião e não com estes custos de contexto”.

Para a resolução do problema, a ARAC faz parte de um grupo de trabalho, que integra também a empresa Estradas de Portugal, o Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (INIR) e os CTT.

De acordo com o secretário-geral da ARAC, em cima da mesa está a possibilidade de, paralelamente ao contrato de aluguer, cada cliente de uma rent-a-car fazer um minicontrato para as portagens, que o vincule a pagar posteriormente as passagens pelos pórticos através de um cartão de débito ou de crédito.

“Seria um sistema expedito e eficaz, que evitaria as contrariedades do atual sistema”, observa Robalo de Almeida, opinião que é contrariada pelo administrador da Visa Car, para quem “a única solução eficaz será o fim das portagens”.

Liliana Lourencinho com Lusa
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