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Brandão Pires disse à Agência Lusa que o projeto, que integrava o estudo estratégico de reabilitação da zona ribeirinha de Faro, encomendado pelo anterior executivo autárquico à Parque Expo, foi concebido numa altura em que havia fundos comunitários disponíveis, mas a situação alterou-se e agora só uma concessão a privados permitirá realizar esse investimento.

"Quando esse projeto foi pensado e assumido havia enquadramento comunitário através do Programa Operacional do Algarve para comparticipar esse projeto. E na altura falou-se que a estimativa era a de que poderia custar qualquer coisa como quatro milhões de euros", explicou Brandão Pires.

O diretor delegado do IPTM do Sul precisou que, "com uma comparticipação de 50 por cento, que era na altura a taxa, seria de dois milhões o envolvimento público para esse projeto", mas como "o Algarve entrou em ‘fasing out’, as regras mudaram e deixou de haver cobertura financeira" comunitária.

O responsável pelas áreas portuárias do Algarve frisou que entretanto o projeto realizado aponta "não para quatro milhões, mas sim para um valor superior a oito milhões de euros" e "sem qualquer financiamento para o mesmo".

"Neste momento o que temos é um projeto cujo custo andará em torno dos oito milhões de euros. E o que se poderá pensar é numa solução privada, que andamos à procura, ao nível da concessão", revelou.

Brandão Pires precisou que o objetivo será "lançar um concurso para construção e exploração, por um número de anos suficientemente longo que torne o investimento rentável, e que englobe, além da parte portuária, áreas anexas".

O diretor delegado do IPTM do Sul explicou que o organismo é proprietário de um terreno junto à atual doca de Faro e "pode pensar-se numa área mais lata em que se concessione todo esse espaço e se consiga essa pareceria privada para vir fazer o porto, porque com dinheiros públicos vai ser difícil".

O responsável considera assim que Faro pode seguir o exemplo de Olhão, onde o concurso para o alargamento e exploração do porto de recreio "foi um sucesso" e "apareceram quatro propostas muito boas dos principais consórcios ligados a este sector".

Brandão Pires sublinhou que, "por cada sete embarcações existentes na região, apenas há um posto de amarração" e defendeu que o Algarve tem "uma carência imensa de infraestruturas deste tipo", pelo que "tudo o que se fizer a este nível, e os privados sabem-no, é rentável ou tende a ser rentável".

"Aqui há uns anos o estado intervinha, interessava-lhe fomentar essa área, e continua a interessar, mas do ponto de vista privado ainda era pouco apetecível. Neste momento julgo que não, já é auto sustentável do ponto de vista do investimento económico, e não faz sentido o Estado estar a ocupar uma área de negócio privado", concluiu.

Lusa

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