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"Há uma correlação muito forte da Bacia do Algarve com a Bacia de Cádis, em Espanha. Em Cádis, a Repsol produziu o campo Poseidon. E nós no Algarve podemos ter reservas 20 vezes maiores que esse campo, suficientes para 12 ou 15 anos do consumo do país. É significativo, mas infelizmente a Repsol ganhou o contrato há oito anos e o contrato não foi assinado pelo Governo português", disse hoje António Costa Silva.

O presidente da Partex, que falava numa conferência sobre exploração de petróleo nas duas margens do Atlântico, hoje em Lisboa, considerou que se trata de "uma situação incompreensível" a todos os níveis.

"Passa-se a vida a dizer que o país não tem recursos e os recursos que tem as pessoas não aproveitam. É falha nossa", considerou o mesmo responsável.

Portugal atribuiu em 2005 a concessão de dois blocos de exploração de gás ao largo do Algarve a um consórcio formado pela espanhola Repsol (75 por cento) e a alemã RWE. A concessão visava a exploração de gás em blocos no Sotavento algarvio.

O concurso de exploração de hidrocarbonetos na costa portuguesa teve início em 2002, mas foi interrompido em 2003 por decisão do então ministro da Economia, Carlos Tavares.

Questionado sobre se considera que Portugal tem privilegiado em excesso as renováveis em detrimento do gás e do petróleo, António Costa Silva respondeu que o Governo português "tem seguido uma política energética consistente", já que o país "tem de diversificar" a matriz energética.

No entanto, apesar de a aposta nas renováveis ser "importante", o país "não pode passar sem petróleo e gás".

A dependência energética de Portugal, disse, "é superior a 80 por cento em relação a estes dois combustíveis e a fatura energética atingiu no ano passado quase 5 mil milhões de euros. No ano anterior, por causa dos preços altos do petróleo, tinha chegado quase aos oito mil milhões de euros", recordou.

"Se fizermos esta descoberta [no Algarve] temos uma poupança de mais de mil milhões de euros por ano", acrescentou.

António Costa Silva considerou ainda que o gás, "a mais limpa das energias fósseis, vai ser o futuro".

Com as descobertas de gás não convencional nos Estados Unidos, disse, "o gás vai ser o sucedâneo do petróleo, antes de se chegar a uma matriz energética mais diversificada. O nosso país tem esse recurso mas está cego em relação a ele", sublinhou.

"Por exemplo, numa conferência tão importante como esta – que atrai mais de 270 pessoas, especialistas de todo o mundo – a atenção dada pelas autoridades foi muito pouca", disse António Costa Silva.

Para a abertura da conferência esteve prevista a presença do ministro da Economia, mas o Estado acabou por se fazer representar pelo diretor geral de Energia e Geologia.

Lusa

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