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Barco_salva_vidasA possível junção de tripulações de dois salva-vidas e a gestão conjunta das duas embarcações estão a preocupar a comunidade piscatória e a Câmara de Tavira, mas o capitão do porto considera que a medida foi recebida com “algum alarmismo”.

Cerca de uma centena de pescadores e armadores, segundo Josué Marques, dirigente do Sindicato das Pescas do Sul, concentraram-se na última sexta-feira junto à capitania de Tavira para protestar contra esta alteração, que faria com que as duas tripulações de três homens que trabalham separadamente integrassem só uma, passando esta a operar com as duas embarcações salva-vidas.

O capitão do porto de Tavira e de Vila Real de Santo António, Sameiro Matias, disse à Lusa que está a ponderar juntar os seis homens numa só tripulação para conseguir ter uma gestão “mais flexível” e “assegurar o salvamento marítimo todos os dias do ano, 24 horas por dia”, mas decidiu manter a atual situação “durante o próximo inverno”.

O presidente da Câmara de Tavira, Jorge Botelho, afirmou à Lusa que as preocupações da Associação de Pescadores e Armadores de Tavira são “legítimas”, porque as condições de navegação na barra são “perigosas” e uma saída da tripulação do salva-vidas para integrar uma gestão conjunta com Vila Real de Santo António aumentaria o tempo de resposta.

“Ficou a garantia dada pelo senhor capitão do porto, face às legítimas preocupações dos pescadores, mas também de toda a náutica de recreio e dos miúdos que fazem desportos náuticos e podem ter problemas, que a tripulação do salva-vidas continuaria a estar em Tavira, dando tempo à câmara e à associação para reagir junto dos meios de comando para que isso não venha a acontecer”, disse Jorge Botelho.

O autarca referia o resultado de uma reunião realizada na sexta-feira na capitania de Tavira e na qual Sameiro Matias decidiu manter o dispositivo atual até depois do inverno, altura mais complicada em termos de segurança no mar.

Tanto a câmara como o Sindicato das Pescas anunciaram que vão agora tentar que as autoridades responsáveis voltem a atrás na decisão e mantenham uma tripulação afeta ao salva-vidas de Tavira em exclusividade.

O capitão do porto de Tavira considerou que a medida está a ser encarada com “alarmismo”, porque sempre que o tempo seja adverso estarão membros da tripulação em condições de avançar no salva-vidas e o problema dos tempos de resposta ficarem aumentados só se põe quando se dão um conjunto de condições pouco frequente.

Sameiro Matias frisou que tem, no entanto, atribuídas competências, na qualidade de capitão do porto, para fazer os ajustes que entenda necessários para “otimizar” os recursos que tem disponíveis no porto de Tavira e no de Vila Real de Santo António.

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