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Do alto do pequeno Coreto, edificado no Jardim Manuel Bívar, em plena Baixa da cidade de Faro, a Banda Filarmónica de Faro tocou as primeiras notas do hino nacional às 10:30 e, durante cerca de um minuto, “A Portuguesa” ecoou na capital algarvia.

A Banda Filármonica, formada por pessoas de todo o tipo de profissões e idades entre os 13 e 60 anos, recebeu poucos aplausos e pouco efusivos. Os espetadores que se deslocaram até ao Coreto da Baixa de Faro para ouvir e cantar o hino em uníssono nacional eram cerca de 20 e, desses ouvintes, poucos cantaram a canção patriótica.

Mesmo com pouco público a ouvir a "Portuguesa" tocada pela Filarmónica de Faro, Tiago Sanona, 14 anos, que toca flauta transversal, declarou à Lusa que se sentiu “um bocadinho emocionado” por estar a tocar o hino nacional em simultâneo com outras bandas nacionais.

“É engraçado porque assim são muitas pessoas a tocar ao mesmo tempo e pode ser que seja ouvido por muita gente”, estimou o jovem músico, no dia da Implantação da República, que hoje celebra o seu centenário.

O desafio para tocar o hino em uníssono nacional a 5 de outubro deu um novo alento à Filarmónica de Faro, coletivo que tem visto músicos escapar para outras bandas devido à instabilidade financeira que enfrenta.

A presidente da Filarmónica de Faro, Ana Maria André, contou à Lusa que o convite para as comemorações do centenário da República foi importante para motivar os músicos, já que o futuro da banda é tudo menos certo.

“Temos músicos que acham que isto não tem pernas para andar”, referiu, adiantando que alguns se mudaram para outras filarmónicas onde se sentem “mais confiantes” por gozarem de maior estabilidade financeira.

A Filarmónica de Faro foi fundada há 30 anos pela Câmara de Faro, está há 10 anos a tocar em instalações provisórias, enfrenta todos os meses o problema do pagamento da renda e a Câmara de Faro deve àquela instituição “alguns milhares de euros”, revela Ana Maria André.

Lusa

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