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“Pode ser que a medicina cubana se possa implementar em Vila Real de Santo António. Quando Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”, afirmou Luís Gomes, no discurso proferido perante cerca de 150 pessoas que a câmara algarvia levou a Cuba para se tratarem em áreas como a oftalmologia, a dermatologia ou a fisioterapia, entre outras.

Questionado pelos jornalistas sobre a forma como esse processo está a ser conduzido, Luís Gomes respondeu que ainda é cedo para dar mais pormenores sobre a matéria, mas precisou tratar-se “de uma iniciativa municipal, que está a ser estudada com as autoridades portuguesas e cubanas, dentro do quadro legal”.

Depois de vários munícipes presentes no jantar terem dado testemunho sobre os tratamentos realizados em Cuba, Luís Gomes lembrou que “estas pessoas não tinham resposta no Serviço Nacional de Saúde” e que a autarquia “deu uma pedrada no charco” proporcionando-lhes condições para serem tratadas na ilha caribenha “a preços mais baratos do que os efetuados no setor privado”.

“Podem fazer processos de intenção, caluniarem este executivo e a oposição mandar mensagens ao jornal A, B ou C, mas não recuaremos um passo”, garantiu o presidente da câmara, numa referência ao relatório preliminar de uma auditoria do Tribunal de Contas, que pôs em causa a legalidade dos acordos entre a autarquia e Cuba para operar munícipes às cataratas, por não ter havido consulta ao mercado, divulgado há cerca de uma semana na imprensa.

O presidente da câmara de Vila Real de Santo António defendeu a legalidade dos acordos, refutando, na altura, as conclusões do relatório preliminar, considerando que “não são definitivas e “já foram alvo de contraditório" por parte da câmara.

No jantar, Ana Paula Santos testemunhou como os tratamentos em Cuba ajudaram o filho Luís Filipe, de nove anos, a melhorar consideravelmente de um problema dermatológico (vitiligo) que “afetava a sua auto-estima”.

“Já tinha experimentado vários tratamentos cá em Portugal, mas só em Cuba é que conseguimos resultados sérios e conseguimos melhorar a sua auto-estima, porque nestas idades as crianças são muito cruéis”, explicou, referindo-se à falta de pigmentação que provocava manchas brancas na pele da criança.

Luís Neto, com cerca de 30 anos, disse que sofre de atrofia muscular profunda e “já quase não andava” antes de ser tratado em Cuba, onde conseguiu recuperar de novo a mobilidade.

Depois de vários outros testemunhos, referentes a casos de dermatologia, oftalmologia ou terapia de reabilitação, Luís Gomes considerou que “é nestes momentos que a realização do papel de autarca sobressai, no mundo difícil da política, sobretudo em tempos de crise”.

Lusa

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