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Em declarações à Lusa, Macário Correia revelou que o alegado esquema lhe foi denunciado pelos próprios nadadores salvadores, que se queixaram de que alguém retinha parte do dinheiro que deviam receber pelos serviços prestados.

"Percebi que havia uma solução engendrada que passava por angariar dinheiro através do trabalho dos nadadores salvadores", refere , escusando-se a revelar o nome da pessoa ou entidade responsável pelo alegado esquema de extorsão.

De acordo com o autarca, alguns concessionários também lhe relataram a existência de uma alegada negociação comercial sobre o valor que eles tinham a pagar para ter nadadores salvadores.

"Depois [os concessionários] vinham a saber na prática que havia ali um trabalho de intermediário em que alguém metia ao bolso dinheiro que teoricamente estaria a ser pago aos próprios nadadores salvadores", refere.

Macário Correia diz que "alguém tinha um interesse pecuniário direto no número de nadadores e período do ano em que estavam nas praias" e que havia funcionários da Câmara de Faro "altamente envolvidos" e com "interesse pessoal na matéria".

A denúncia surge um dia depois de o autarca ter proposto que a época balnear nas praias da capital algarvia seja encurtada num mês, medida justificada pela sua escassa utilização no início de junho e final de setembro.

O presidente da Câmara afirma ter tomado medidas para desmantelar a alegada rede no ano passado, dispensando os funcionários municipais envolvidos no assunto e implementando uma "relação clara e direta" com os nadadores salvadores.

Apesar de assumir a gravidade da situação, Macário Correia diz não ter feito queixa à polícia por considerar que "tinha condições suficientes para resolver o problema para o futuro".

Contudo, o autarca diz ter aconselhado as vítimas do alegado esquema a apresentar queixa mas estes, apesar de "revoltados", não o fizeram por "receio de represálias" e por não terem testemunhas efetivas da alegada fraude.

Lusa

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