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“Os portugueses estão a passar grandes dificuldades, mas tudo o que for recolhido será para entregar às vítimas destes incêndios”, disse à agência Lusa Eugénio Fonseca, que tem estado em contacto permanente com os responsáveis das várias Cáritas Diocesanas que estão no terreno a apoiar a população e que fazem o relato dramático daquilo que se vive no local.

A ajuda da Cáritas “vai ser na proporção da solidariedade dos portugueses, mas reconheço que não estamos nas condições que estávamos quando, há seis ou sete anos, pudemos contar com a grande solidariedade das pessoas quando foram os incêndios na zona do Algarve e no Alentejo”, sublinhou.

A Cáritas está a apoiar as vítimas dos incêndios que estão a atingir a Madeira, o Algarve e o restante país, através de dezenas de voluntários que estão a ajudar as vítimas no terreno, e com a abertura da conta solidária “Cáritas ajuda vítimas de incêndios” com o NIB: 0007 0000 00107639446 23, do Banco Espírito Santo.

“Dadas as proporções dos problemas que as pessoas estão a sentir, para já, na ilha da Madeira e também com riscos muito acentuados em Tavira, nós decidimos apoiá-las nesta fase de emergência naquilo que é a satisfação das necessidades básicas, como alimentação e abrigo e, numa fase posterior, na recuperação das suas casas destruídas pelo fogo”, adiantou Eugénio Fonseca.

Segundo o presidente da Cáritas, os voluntários que estão nos locais de incêndios estão a dar apoio no acolhimento às pessoas que estão a ser retiradas das suas casas, “algumas porque já viram ardidos os seus bens e outras por questões de segurança”.

“Estão nesta fase a criar condições para um melhor acolhimento, proporcionando às pessoas condições que as levem a superar, na medida do possível, o trauma que estão a sofrer” e, juntamente com as instituições oficiais, “assegurarem os cuidados básicos de subsistência que nesta hora necessitam”, incluindo a dimensão espiritual.

Eugénio Fonseca apelou ainda a uma maior consciência para evitar muitos destes incêndios: “A natureza é inclemente e, por isso, devíamos ser mais providentes porque ainda não conseguimos, apesar de já termos sido tão flagelados por factos como este, perceber e interiorizar que prevenir é melhor do que depois remediar”.

“Sabemos que as temperaturas contribuíram para facilitar, por um lado, a mão criminosa de alguns que, sem escrúpulos, cometem estes atos criminosos e, por outro, a negligência humana”, disse, explicando: “Não limpam os terrenos convenientemente e não se tomam as medidas no tempo certo” para evitar estes desastres.

A Região Autónoma da Madeira e os concelhos vizinhos de Tavira e São Brás de Alportel continuam hoje à tarde a ser os locais mais afetados pelos incêndios, enquanto em Belmonte um fogo urbano causou hoje a morte de três pessoas.

Lusa

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