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“Vamos deixar agora de procurar culpados, porque os culpados são vários e portanto eu acho que a história se vai encarregar depois de os identificar e, depois, o povo vai ter a oportunidade também de os responsabilizar a partir da arma democrática que tem que é o próprio voto”, afirmou Eugénio Fonseca, em Fátima, onde decorre até domingo o Conselho Geral da Cáritas Portuguesa.

Questionado se o país necessita de ajuda externa, o dirigente admitiu que “ela tem que vir”, mas “respeitando também a nossa soberania”.

“Toda a ajuda externa que vier seja uma ajuda assente efetivamente na cooperação e não que nos leve a ficar subordinados e reféns seja do que for e de quem for”, defendeu adiantando que “não gostaria de ver” o Fundo Monetário Internacional a intervir, “mas se passar por aí a solução, pois que passe”.

Eugénio Fonseca considera, contudo, que o país tem “condições para evitar isso” e que o momento é agora de união.

“Há muito tempo que eu falo nisto e torno a acentuar: neste momento o que importa é fazermos um pacto de regime que leve a todas as forças sociais, políticas, empresariais a unirem-se”, declarou, considerando que o que se tem de fazer “é vencer a crise e deixar-nos de defesas de princípios ideológicos ou de conquistas de poder, porque agora há que salvar as pessoas que estão em situação de grave carência”.

Para Eugénio Fonseca, esta é, “sem dúvida”, a crise mais grave que o país tem desde que conheceu a Democracia.

“Até mesmo antes do 25 de abril já eram passados muitos anos em que aconteceu uma crise do género e ela ironicamente veio cair até no ano em que toda a Europa estava motivada para o combate à pobreza e à exclusão social”, continuou, esperançado que o país vai superar a crise.

“Para o conseguirmos não temos de contar apenas com o governo. Temos todos de colaborar. Temos de mudar de vida. O slogan devia ser, face à crise e para que o futuro nos reserve menos crises, vamos mudar de vida e mudar de vida é ter hábitos diferentes, sobretudo que apostem mais na poupança e menos em consumismos estéreis sem qualquer valor real para a felicidade das pessoas”, disse.

Lusa
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