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Eugénio da Fonseca falava no encontro dos centros sociais paroquiais algarvios que teve lugar no Centro Paroquial de Paderne e considerou que “a pobreza imposta é uma ignomínia para a Igreja”. “Lutamos contra essa pobreza. O grande papel que temos como Igreja é de ajudarmos a mudar o olhar sobre os pobres e fazermos um exame de consciência sobre o que temos feito para que os pobres estejam a ser e tenham sido maltratados”, referiu.

Aquele dirigente disse ainda que “ser pobre em Portugal traz consigo uma carga acusatória de reprovação que leva quem caiu na situação de esconder ao máximo o problema que vive”. “Nós estigmatizamos o pobre”, lamentou.

Eugénio da Fonseca criticou, como exemplo, as alterações instituídas ao Rendimento Social de Inserção. “Por causa de alguns que se aproveitaram, ilegitimamente, de uma medida de proteção social que não resolvia mas atenuava a agressividade da pobreza e que se chamava Rendimento Mínimo Garantido e que agora se chama Rendimento Social de Inserção, hoje há muita gente que perdeu esse benefício ou que o viu diminuído por causa das alterações que fizeram. E gente que agora voltou a precisar das paróquias”, lamentou.

Neste sentido pediu “cuidado” na forma como se lida com o “fenómeno da pobreza”. “Este novo olhar sobre os pobres é muito importante. Falamos muitas vezes dos subsídio-dependentes. Mas quem é que os gerou? Foi o nosso próprio sistema que criou essas condições!”, sustentou.

O presidente da Caritas Portuguesa considerou, então, importante “levar a Boa Nova às elites, a outros quadrantes onde se joga a questão da justiça social”, lembrando que “nunca se produziu tanta riqueza como hoje”. “A pobreza não tem a ver com a falta de recursos. Tem a ver com o problema da distribuição. Não basta criar riqueza se depois ela é concentrada apenas nas mãos de alguns”, concluiu.

Samuel Mendonça

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