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"Independentemente da dureza da informação, da dureza do que estamos a passar, que de facto é difícil, convém que o Governo comece a falar claro, comece a falar verdade e não tenha medo da informação que vá dar à população", declarou António Saraiva, em Faro, à margem de uma visita da ministra do Trabalho ao centro de Formação Profissional.

O ministro das Finanças português admitiu, em Bruxelas, no início da semana, a possibilidade de aumentar os impostos para assegurar o aumento da rapidez da trajetória de redução do défice orçamental nos próximos anos para Portugal ganhar a confiança dos mercados financeiros.

O presidente da CIP recordou que Portugal "já dobrou o adamastor" e que vai conseguir ultrapassar outros, mas reiterou a necessidade do Governo "dizer a verdade" e que explique "os desafios que temos pela frente" para que coletivamente se encontrem soluções.

António Saraiva admitiu que falar a verdade é "doloroso" e "exige coragem", mas é um mal necessário para pedir esforços acrescidos às empresas e às famílias.

O presidente da CIP lamentou que o anúncio do aumento de impostos seja "tardio".

"Se este anúncio, que já se sabia que era necessário, fosse anunciado lá atrás, provavelmente teríamos os radares de observação focalizados noutros países que não em nós e teríamos tido uma vida hoje mais facilitada", argumentou António Saraiva, acrescentando, todavia, que o aumento de imposto é "um mal necessário que poderia ter sido evitado se tivessem sido tomadas medidas corretas no passado".

O senhor primeiro ministro anunciou-nos, repetidamente, que não iria aumentar impostos. Lamentavelmente para o país e para as afirmações do senhor primeiro ministro, a realidade hoje é bem diversa", considerou o presidente da CIP.

Fernando Teixeira dos Santos anunciou um reforço das medidas de consolidação orçamental de forma a reduzir 1,5 pontos percentuais do défice previsto para 2011, dos 6,6 por cento do PIB previstos para 5,1.

O primeiro ministro já tinha anunciado sexta feira, também em Bruxelas, a redução em 1,0 ponto percentual do défice previsto para 2010, de 8,3 por cento do PIB para 7,3.

O aumento do IVA e a tributação autónoma do 13º mês, entre outras, são medidas que têm sido veiculadas como estando em ponderação pelo Executivo.

António Saraiva defende que a economia portuguesa necessita de "estabilizadores e não de flutuadores" e que as empresas vão precisar de apoio durante mais algum tempo.

Lusa

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