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Presidente da Federação Portuguesa pela Vida alertou clero do sul para a ideologia do género

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A presidente da Federação Portuguesa pela Vida (FPV) veio dizer ao clero do sul do país que “A Ideologia do Género”, tema da sua reflexão, “é a última rebelião da criatura contra a sua condição como tal” e que, através daquela corrente, o “homem separa-se do seu corpo” e “diz-se Deus”.

“A ideologia do género mina a linguagem, anula a realidade, esvazia a sexualidade, destrói a família, a maternidade, a paternidade e a escola, mina o poder e a política, os corpos sociais intermédios e destrói a Igreja, a arquitetura, a arte”, afirmou Isilda Pegado, acrescentando tratar-se de uma corrente que, para além de alterar a organização social, tem ainda repercussões na ciência, na economia e até na justiça.

“Acresce que a isto se junta a perseguição e o combate ao Cristianismo porque ele é o que representa a verdade. O verdadeiro combate é à verdade”, disse na última quarta-feira aos bispos, padres e diáconos das dioceses do Algarve, Beja, Évora e Setúbal, na sua formação anual que decorreu esta semana em Albufeira.

Segundo a ex-deputada à Assembleia da República, aquela ideologia é a terceira da época contemporânea, depois do comunismo e do fascismo. “Tal como o fascismo apresentava a superioridade da raça ariana como o grande mote da ideologia, aqui é a questão da sexualidade que é posta no centro”, afirmou, considerando que “uma nova antropologia pretende abarcar toda a realidade e organização social e tem um objeto, um método e um fim”. “O que se pretende é que o próprio homem seja escravo desta ideologia como aconteceu com as outras e que o poder e o Estado não tenham limites, nem sequer o imposto pela natureza”, completou, aludindo ao “interesse do próprio poder em controlar a intimidade do homem”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A oradora explicou que a ideologia “implica uma nova forma de conceber o ser humano e a sociedade” que parte de uma “antropologia dualista”, segundo a qual o “homem é cultura e dimensão física” em que “a cultura é a dimensão dominante”. Isilda Pegado acrescentou que, de acordo com esta linha de pensamento, homens e mulheres “não dependem da sua natureza sexuada, mas foram construídos culturalmente através da história”.

“A ideologia do género vem na linha do positivismo moderno, do marxismo ao neo-marxismo e agora, muito em concreto, da chamada ‘New Age’ que integra o paganismo, o culto dos elementos da natureza deificada, as orientalidades do karma, da reencarnação, das energias yin e yang, das pedras, dos incensos, da pegada ecológica, do malthusianismo”, explicou, acrescentando que promove, por isso, o combate ao antropocentrismo. “Dizem-nos que o homem não é um ser superior, que a Criação não foi feita para o homem e que o antropocentrismo deve terminar como, tantas vezes, ouvimos na Assembleia da República o partido dos animais a defender”, desenvolveu.

Isilda Pegado disse ainda que “a militância a favor do aborto e da eutanásia são essenciais à ideologia do género”, pois entende que “o início e o fim da vida são realidades sem valor”. “[Defende que] a sociedade é dominada pelo mais forte e cada ser humano é protegido se tiver força e [que] os direitos humanos não derivam de dignidade da pessoa, mas do poder”, acrescentou.

A oradora referiu também que a ideologia do género diz procurar “uma paz que deriva da radical igualdade entre homem e mulher” e não da complementaridade. “Parte do princípio que as desigualdades são fruto de uma vivência histórica da cultura onde estamos inseridos e que esta só será vencida quando o papel do homem e da mulher for livremente escolhido pelo indivíduo”, observou, lamentando defesa de uma liberdade individual que “não tem limites”.

Pegado observou que, ao defender a “radical igualdade” entre homem e mulher, a ideologia “despreza a maternidade”, que “é vista como algo de negativo, que degrada a mulher e que a impede de se realizar plenamente”, e considera a família, o casamento e a maternidade o “núcleo de opressão da mulher”, procurando “exterminar estes focos de violência”.

Destacou também que “a ideologia do género é mais do que um feminismo porque ultrapassa a questão da guerra dos sexos, através desta decisão individual de poder escolher o próprio género”. “Não é apenas a questão sexual que importa modificar, mas muitas outras circunstâncias que definem o homem”, sustentou, dando entre outros exemplos a “relação com os animais” ou a “ciência sem ética”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Defendendo que o caso da disfonia de género de uma “pessoa que está em sofrimento” por ter determinado sexo e se sentir de outro “deve ser tratado cientificamente” para que “se encontre bem” e haja a “união” entre “a personalidade física e a psicológica”, Isilda Pegado alertou que a ideologia do género “tem sido construída ao longo das últimas décadas” e “propõe-se hoje com ampliações inimagináveis”.

De entre os seus métodos, disse que “o primeiro e mais perigoso de todos é o manipulamento da linguagem”, exercido através de “transferências semânticas” e “anti-frases”, tendo em vista o “esvaziamento das consciências”. Como exemplo, referiu a “barbárie” da “destruição massiva de conceitos jurídicos” para levar, no próprio domínio do Direito, a que as leis sejam “quase impercetíveis”.

Deste modo, lembrou que o aborto passou a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez), que o “lugar onde se fazem abortos”converteu-se em Centro de Saúde Reprodutiva, que “tirar embriões de dentro do útero de uma mulher” passou a designar-se “redução embrionária”, que pedofilia trata-se afinal de “amor inter-geracional”, que não há eutanásia mas “morte digna”, que “barriga de aluguer” é apenas “parentalidade de substituição” e que “sexo” é afinal “género”.

A presidente da FPV referiu ainda que “o instrumento relativista do consenso e da tolerância é usado para construir uma aceitação aparente na sociedade”. “É uma metodologia pacífica que esconde as divergências e evidencia os pontos comuns”, alertou, acrescentando que o método da ideologia consiste em usar sempre “uma ideia parcial e boa, que facilmente se aceita, mas que no fim destrói o todo”. Por outro lado, lamenta que a tolerância não seja usada com quem rejeita a ideologia. “Quem se oponha será criminalizado. [Acham que] a homofobia está por todo o mundo e o grande desejo parece que seria um dia pôr no banco dos réus do Tribunal Penal Internacional o papa”, lamentou.

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