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A iniciativa, que chegou a estar prevista para Portimão, foi precedida pela celebração da Eucaristia na capela do Seminário de Faro, decorreu no Hotel Faro e ficou marcada pelo testemunho cristão apresentado pelo líder da maior empresa portuguesa e uma das maiores da Europa do sector do papel, com especial incidência na área dos descartáveis de higiene.

Paulo Pereira da Silva, engenheiro físico de formação, interpelou os gestores e empresários algarvios partindo do exemplo de Jesus Cristo que considerou o melhor “director-geral” ou “presidente”.

O presidente da Renova, que confessou ter “uma fé profunda”, explicou que “ser católico é um caminho e um encontro com uma pessoa precisa: Cristo”. “Uma pessoa que está sempre presente na minha vida e me cria desafios”, acrescentou.

Paulo Pereira da Silva desafiou os empresários a “usar a sabedoria do Evangelho como meio para desenvolver a excelência numa empresa”. Lembrando que “o staff de Jesus Cristo era humano e analfabeto”, constatou que “os doze avançaram no desempenho da missão para a qual foram treinados”.

Referindo-se à “força de auto-controle”, lançou um conjunto de questões que fizeram reflectir os presentes. “Será que sou uma ponte entre mim e os outros? Será que sei verdadeiramente quem é o meu chefe? Qual é a minha missão? Será que digo obrigado antes de pedir alguma coisa? Apercebo-me que ter um coração agradecido pode livrar-me de precisar de ter um «transplantado»? Quando e o que é que eu celebro? A quem tento culpar quando grandes ou pequenas coisas correm mal?”, questionou.

Abordando depois a “perspectiva da acção” continuou a lançar interrogações. “Como é que as minhas acções podem mudar a minha maneira de estar no planeta? Estou a fazer coisas novas ou sou só uma «esponja» daquilo que já foi feito? Qual é o meu plano? Que projectos continuo a tentar fazer sozinho e porquê? Qual é a minha verdadeira equipa? A remunerada ou não remunerada? Até que ponto sou um agente de mudança? Se fizer o que está verdadeiramente no meu coração com quem ou com o quê criaria conflito? Que medos ou conflitos me impedem de ser verdadeiramente um líder? Sinto algum poder superior que cuida de mim de forma muito pessoal?”, inquiriu.

Paulo Pereira da Silva lançou ainda um último conjunto de questões quando abordou a questão da “força relacional”. “Será que comunico os mais altos propósitos para as actividades dos meus colaboradores? Motivo-os para a contribuição numa causa final? Acho que todas as boas ideias vêm de mim? Que obstáculos me impedem de ser um líder transparente? Como posso mostrar ao meu staff que acredito neles? Que situações tive de perdoar recentemente? Como posso manifestar o meu amor pelas pessoas que trabalham comigo? Para onde é que estou a conduzir as minhas pessoas? Para um funeral ou para uma festa? Acredito que o meu staff é um dom de Deus para mim? Trato o meu staff de acordo com isso?”, perguntou.

“Nós formamos o nosso destino e no que acreditamos pode ser no que nos tornamos. Um cristão é alguém que devia testemunhar uma coisa que é a mais importante: a esperança. Às vezes, com as nossas vidas, não damos testemunhos de esperança”, afirmou ainda.

Paulo Pereira da Silva explicou que veio parar à Renova sem que isso estivesse nos seus horizontes, onde acabou por “fazer uma experiência do mundo real”. “Quando comecei a trabalhar descobri que o que mais gosto é de trabalhar com pessoas. É uma paixão para mim”, disse, lembrando que “a liderança é uma coisa fundamental na gestão”. “A gestão é excelente ou não, dependendo da liderança. A liderança tem a ver com gerir talentos”, complementou, garantindo aos empresários algarvios que “não há soluções”, mas “caminhos”. “Temos de procurar caminhos pondo tudo em causa, todos os dias”, disse.

O conferencista defendeu que, “mais do que dar ordens, é importante explicar às pessoas” o sentido da acção. “As pessoas têm de ter a flexibilidade de gerir as coisas em junção daquilo que lhes foi explicado”, frisou, considerando a flexibilidade da Renova uma mais-valia comparativamente às grandes multinacionais com as quais trabalha e que não conseguem ter essa característica.

No final da conferência, o padre Mário de Sousa, assistente espiritual do núcleo algarvio da ACEGE, apelou a um maior esforço para que estas iniciativas da associação se estendam também ao Barlavento algarvio.

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