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Uma verdadeira multidão (pessoas ligadas à vida política e social mas também cidadãos anónimos) juntou-se em frente ao Convento de Santo António para assistir à chegada deste ilustre louletano. Dentro do Convento, as memórias de uma vida – pessoal e profissional – trazidas através de documentos, objectos, fotografias e registos audiovisuais, que pretendem dar a conhecer o percurso desta figura incontornável da política portuguesa das últimas décadas.

Lado a lado com as fotografias de infância e juventude, na sua terra natal e junto da sua família e amigos, é possível encontrar objectos pessoais, como o seu cartão de identidade de Oficial Miliciano (1963), os seus diplomas académicos, o vestido de noiva da Primeira-Dama e alguns dos fatos usados por Maria Cavaco Silva em cerimónias oficiais, um caderno de exercícios de língua inglesa da filha Patrícia ou fotografias na Universidade Católica, onde exerceu as funções de docente. Para além de um objecto muito especial que Cavaco Silva recordou com alguma nostalgia – uma máquina de filmar Canon. “Fui cineasta desde muito novo, era um aficionado do ‘Cahiers du Cinéma’, disse o Chefe de Estado.

Em relação ao seu percurso político, integram esta exposição documentos oficiais (alguns cedidos pela autarquia), como autos de posse dos cargos que exerceu, presentes oficiais de outros chefes de Estado, os prémios e condecorações, nacionais e estrangeiras, as capas dos jornais e revistas que ilustram momentos importantes deste percurso. Desses momentos marcantes, Cavaco Silva considerou como o “mais surpreendente”, o convite de Francisco Sá Carneiro para integrar o Governo como Ministro das Finanças e do Plano. “De alguma forma foi uma surpresa, a minha primeira reacção foi negativa, na medida em que estava precisamente a preparar as minhas provas para professor catedrático, não tinha experiência política nenhuma, nunca tinha ido à Assembleia da República, estava habituado a enfrentar grandes auditórios cheios de alunos e não cheios de deputados. Portanto, esse foi o maior desafio que me foi colocado na vida política, ser Ministro das Finanças de Sá Carneiro em 1980”, frisou.

Quanto ao momento “menos bom” do seu percurso político, Cavaco Silva foi peremptório: “Toda a gente sabe que fui derrotado na primeira vez que me candidatei à Presidência da República… A vida é feita de vitórias e derrotas e nós em democracia temos sempre que aceitar com naturalidade aquilo que corre menos bem”.

Nesta passagem por Loulé, o Presidente da República falou também do actual momento político e económico do país e da importância da “estabilidade política para fazermos face aos desafios muito complexos que temos pela frente”. E em relação ao Programa de Estabilidade e Crescimento frisou: “Esse é o documento que o Governo vai apresentar na Comissão Europeia e nos mercados financeiros internacionais. Sendo assim, temos que ter muito cuidado para não contribuir que os mercados julguem mal o programa português. Porque se assim for, as famílias e as empresas portuguesas, para além de outros sacrifícios que lhe são exigidos, terão de pagar juros mais elevados”, explicou.

Este dia de festa o Concelho de Loulé terminou com um jantar no salão nobre dos Paços do Concelho oferecido pela Câmara Municipal a este estadista natural da freguesia de Boliqueime.

Recorde-se que a exposição “Anibal Cavaco Silva – exposição biográfica de um Presidente nascido em Loulé” vai estar patente ao público no Convento de Santo António, até ao dia 9 de Maio, no seguinte horário: de terça a sexta-feira, das 10h00 às 19h00; sábado, das 10h00 às 20h00, e domingo das 14h00 às 20h00. Encerra às segundas-feiras e no dia 1 de Maio.

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