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Entre a Ria Formosa e a linha de ferro, bem perto do Teatro Municipal de Faro, uma antiga fábrica de transformação de alfarroba reabriu agora na versão Fábrica dos Sentidos, tornando-se na primeira cooperativa de artistas do Algarve.

Artistas, artesãos e público podem entrar, visitar e trabalhar na antiga fábrica, que antigamente exportava farinha para confecionar comida para bebés e desde outubro é uma ilha criativa na cidade de Faro, uma espécie de ninho de empresas para criar, produzir e vender arte, à semelhança do que já acontece em Lisboa com a LX Factory, por exemplo.

“A Fábrica dos Sentidos é um espaço de ‘co-working’, é um centro de artes, é um espaço de formação”, explica à Lusa Mató, 39 anos, mentor do projeto, pioneiro no Algarve.

Quando se entra na Fábrica dos Sentidos, com perto de cinco mil metros quadrados, percebe-se que tudo o que ali está é material reutilizado, com cadeiras e sofás apanhados aqui e além na cidade, colchões, madeiras e mesas doados pelas instituições e empresas da região ou oferecido pela população.

Há um mercado de trocas de livros e cinema às quintas-feiras, mas há também junto ao bar, na ala principal do edifício, vários ateliês em espaço aberto onde os artistas criam, constroem e divulgam a arte, artesanato ou vestuário.

Mató conta que a Fábrica dos Sentidos também tem um espaço multiusos dedicado às danças do mundo, oriental ou contemporânea e onde vão ser instaladas as salas de ensaio para teatro, circo e música, assim como os estúdios de produção de vídeo e fotografia.

No andar de cima da fábrica estão a ser desenhadas as oficinas para tatuagem e massagem, cabeleireiro e venda de produtos biológicos a preços ‘low-cost’.

Eunice Fantasia, que nasceu no Botsuana (África), faz parte da equipa que levantou a Fábrica dos Sentidos e é uma das inquilinas do espaço, onde já pintou um mural. Paga cerca de 50 euros de aluguer para ter ali o seu ateliê, onde constrói objetos de cariz africano.

A artista acredita que este lugar vai “transformar a mentalidade das pessoas”, a sua maneira de estar, de viver e favorecer a criatividade.

“Acho que é muito importante, acho que está na hora” de o Algarve ter um espaço para os artistas, referiu.

Numa ala exterior, com cerca de mil metros quadrados, há uma esplanada especial com assentos originais onde se pode comer, conversar ou apreciar graffiti na parede.

Descobre-se também casas de banho construídas com azulejos e loiças recicladas e estão a ser construídos balneários e cozinhas, espaços onde vão poder funcionar negócios relacionados com alimentação.

O espírito da Fábrica dos Sentidos é o de que a “união faz a força”, apesar de não ser fácil pagar o aluguer do espaço em tempos de crise, refere Mató, incansável a receber as pessoas que entram e saem livremente da fábrica, uns por curiosidade, outros para marcarem trabalhos na cooperativa.

Com ateliê instalado – cerca de 15 metros quadrados – estão também ali um carpinteiro do Turquemenistão que faz trabalhos em talha e brinquedos, um grupo de artesãs, um oleiro, uma designer norueguesa e uma costureira.

A Fábrica dos Sentidos é também uma “fábrica de sonhos”, pelo menos para Mató, que trabalha em artes performativas e cujo nome artístico é ‘Mató, le freak’.

O responsável convida todos os interessados a visitarem o novo espaço de cultura no Algarve, porque, sublinha, é um lugar para todos e está sempre em construção.

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