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O pároco, padre Afonso Cunha Duarte, explicou hoje à Agência Ecclesia que as tochas, compostas por um pau ou cana engalanada com flores campestres, no topo da qual se colocava um coto de vela, tiveram origem na falta de cera que em tempos ocorreu na região pertencente à Diocese do Algarve.

Os moradores saem à rua, erguem a tocha e cantam “Ressuscitou como disse! Aleluia, Aleluia, Aleluia!”, referiu o sacerdote, salientando que o cortejo pelos dois km de ruas atapetadas de flores constitui “um testemunho público da fé, ainda que nem toda a gente que vai na procissão frequente a igreja”.

A recolha começou na Segunda-feira Santa, com cerca de 10 pessoas que apanham funcho nas ribeiras e rosmaninho nas serras, flores que são depois reunidas em “centenas de caixas” e guardadas numa estufa emprestada para evitar que murchem, referiu o padre Cunha Duarte, de 73 anos.

Durante a semana as plantas são tratadas para que estejam prontas no domingo de Páscoa, dia em que pelas quatro horas da madrugada cerca de 100 voluntários, incluindo jovens e bombeiros, espalham flores e verduras pelas artérias, cada qual com desenhos que as distinguem das restantes.

Este ano o trabalho teve de ser interrompido às seis da manhã, por causa da chuva, mas duas horas depois estava concluído, contou o pároco, acrescentando que o cenário é enriquecido com bandeiras vermelhas e brancas, colchas penduradas à janela e lonas com a imagem de Cristo ressuscitado.

A procissão das Tochas Floridas, que também se realiza noutras localidades algarvias embora com denominações diferentes, implica igualmente que a igreja matriz de S. Brás de Alportel seja “enfeitada a preceito”, com palmas, flores nas colunas e painéis evocativos da ressurreição, realçou o sacerdote.

Agência Ecclesia

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