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O projeto reúne um biólogo, um perito em aquacultura e um empresário “gourmet” e foi distinguido no concurso “Ideias em Caixa”, uma parceria entre o Centro Regional para a Inovação do Algarve (CRIA) e a Caixa Geral de Depósitos.

A ideia é instalar até ao fim do ano, numa zona do Algarve ainda a definir, uma unidade de produção de esturjão (peixe cujas ovas dão origem ao caviar), estimando-se que em quatro anos possam ir para o mercado as primeiras embalagens da iguaria.

Por ser um dos peixes comercialmente mais valiosos do mundo o esturjão está em risco de desaparecer e neste momento praticamente só é possível criá-lo em regime de aquacultura, explicou Paulo Pedro à Lusa.

Antes de se lançar no projeto aquele biólogo da Universidade do Algarve disse que tinha muitas ideias preconcebidas acerca do esturjão, que pensava dar-se apenas nas águas frias da distante Rússia, mas estava enganado.

“No seu ambiente natural, com temperaturas negativas, os esturjões podem demorar 20 anos até atingir a sua maturação sexual mas no Algarve, devido à temperatura amena, o seu crescimento pode ser muito mais rápido”, frisa o biólogo.

O mentor da ideia é Valery Afilov, que durante 12 anos trabalhou no cultivo de esturjão em aquacultura na Ucrânia e que desde que veio para Portugal, há uma década, sempre quis importar a ideia.

“Apesar de este tipo de peixe não ser muito conhecido aqui [embora antes a carne do esturjão fosse consumida em Portugal] as condições para a produção de caviar no Algarve são mesmo muito boas”, refere.

A estimativa é que em quatro anos a equipa comece a produzir caviar de uma das quatro espécies de esturjões que se propõem cultivar, contudo, a joia da coroa é a espécie “beluga”, mas neste caso é precisar esperar sete anos.

Um quilo de caviar daquela espécie, a que demora mais tempo a produzir ovas, pode custar entre 1.000 e 5.000 euros, sendo a expetativa do grupo que em 2016 a unidade possa estar a produzir entre 600 a 700 quilos de caviar por ano.

Para os primeiros sete anos será necessário um investimento de 1,5 milhões de euros, financiamento que ainda não está garantido na totalidade embora já haja investidores interessados, refere Paulo Pedro.

“O grande objetivo é que o produto seja consumido em Portugal mas se assim não o for não estamos muito preocupados porque neste momento existe noutros países uma lista de espera enorme”, acrescenta o biólogo.

Jorge Raiado, produtor de flor de sal de Castro Marim e que também integra o projeto, acredita haver no Algarve mercado para o consumo de caviar, sobretudo por parte dos hotéis e restaurantes de luxo.

“É verdade que é um produto caro mas também não é todos os dias que se come caviar”, refere, sublinhando que o Algarve é um mercado “especial” não só pelo turismo que recebe como pelos vários restaurantes com estrelas Michelin.

Numa segunda fase do projeto a ideia é produzir também esturjão atlântico, que se extinguiu em Portugal na década de 1980 -, para poder repovoar estuários como os do rios Guadiana e do Arade, no Algarve.

Lusa

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