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Os vendedores, na sua maioria pequenos produtores, estendem-se desde o sítio das Baceladas (Quarteira) até Odiáxere, com especial incidência entre Baceladas e Patã (Albufeira), na esperança de que o aumento do tráfego naquela via seja proporcional ao acréscimo de compradores dos seus produtos e, consequentemente, resulte num maior escoamento da sua produção.

A FOLHA DO DOMINGO falou com um desses produtores, proprietário de um pequeno pomar com apenas dois hectares, mas que já vende há alguns anos na EN125. “Não consigo vender as laranjas e as tangerinas e, para não se perderem, venho vender para aqui. Isto está difícil e, se não se fizer assim, não se consegue”, testemunha Henrique Coelho, lembrando outros tempos com saudosismo. “Antigamente era melhor, havia mais escoamento e vendíamos a armazenistas. Agora é impossível porque eles, para além de pagarem uma ínfima quantia por cada quilo, também não garantem escoamento”, relata com tristeza. Recorde-se que as laranjas para a grande distribuição são vendidas entre 12 a 18 cêntimos o quilo aos retalhistas ou a 10 cêntimos o quilo para a indústria.

O produtor sexagenário assegura que, por isso, muitos armazenistas desistiram e outros foram à falência. Por outro lado, Henrique Coelho constata que as grandes cadeias de hipermercados “têm os seus fornecedores, só recebem grandes remessas e não aceitam mais ninguém”.

Para fazer frente a esta realidade, o agricultor optou por vir vender “todos os dias” para a EN125. Apesar de garantir que “o lucro não é muito face às despesas” que a produção acarreta, sempre vai dizendo que “vale a pena”, até porque diz não haver alternativa. Ao nível dos gastos, Henrique Coelho lembra a água consumida em rega por causa da atual seca e confirma que, com a falta de chuva, a laranja fica mais pequena, o que também dificulta a introdução do produto no mercado. No entanto, o produtor defende, em contrapartida, que “a qualidade é melhor ainda”. “O sumo é mais concentrado porque não tem tanta água. A laranja, quando recebe mais água, fica mais aguada”, explica.

Embora afirme não ter notado grande melhoria no negócio desde que foram implementadas as portagens na Via do Infante, o agricultor confirma que há agora mais vendedores. Henrique Coelho vende atualmente quatro quilos de laranja ou tangerina a 2,00 euros (embora haja quem venda ainda mais barato), enquanto nos hipermercados, igual quantidade destes citrinos pode custar entre 2,36 e 3,96 euros ao consumidor final.

Samuel Mendonça
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