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Esta campanha de inverno “não vai ser fácil” e os produtores estão numa situação "muito complicada” devido ao “consumo baixo, quer a nível interno quer ao nível das exportações”, observou Pedro Madeira, gerente da sociedade Frutas do Sotavento do Algarve (Frusoal).

O gerente da Frusoal, que conta com cerca de 100 trabalhadores e 150 sócios, explicou que a redução do consumo fez cair os preços, colocando-os ao nível dos praticados na temporada de 2008/09, que qualificou como “ruinosa” e na qual o quilograma era vendido abaixo dos 15 cêntimos.

“A produção de 2009/10 já deu para perspetivar a atividade a médio prazo, e o preço médio praticado cifra-se entre os 25 e os 27 cêntimos por quilo”, acrescentou, frisando que menos 10 cêntimos fazem “a diferença entre a viabilidade e a inviabilidade” no setor dos citrinos.

Pedro Madeira, que obtém uma produção anual entre as 22 e as 26 mil toneladas e um volume de negócios a rondar os 11 milhões de euros, sublinhou que os preços atualmente praticados “não permitem suportar o custo do diferencial de transporte entre Portugal e Valência (Espanha) para exportar para os países do centro da Europa”, mercados onde “os espanhóis estão em vantagem por estarem mais perto”.

Aquele produtor lamenta que o preço da laranja já custe 15 centimos por cada quilo desde 2008/09 e estima que a tendência só será invertida se a produção das campanhas de primavera e verão for menor, “reduzindo a oferta e aumentando o preço”.

Também Horácio Ferreira, diretor geral da Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve (CACIAL), está preocupado com a possibilidade os sócios não conseguirem cobrir os custos de produção nesta campanha.

“A campanha está com mais fruta em quilogramas do que no ano passado e os preços estão mais baixos, pelo que os agricultores podem não conseguir fazer frente aos custos que têm”, afirmou.

Horácio Ferreira frisou que “o consumo também baixou” e os cerca de 100 sócios da CACIAL só estão a conseguir escoar o produto porque estão “a exportar mais”.

“Não dá para ter mais valias, mas pelo menos consegue-se fazer sair o produto para ver se os custos de produção são cobertos”, acrescentou, reconhecendo também que a distância entre o Algarve e Valência, “a catedral do transporte de citrinos” para a Europa, é mais “um fator penalizante”.

“Não há dúvida de que o transporte sempre foi penalizante, porque estamos a um dia de viagem de Valência e temos a concorrência de Espanha, que consegue ir para os mercados de destino com valores mais baixos”, disse o diretor geral da CACIAL, que produz anualmente 22 mil toneladas, tem um volume de negócios de oito milhões de euros e emprega mais de 150 pessoas.

Folha do Domingo/Lusa
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