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A queixa, apresentada por três encarregados de educação de alunos do 10º ano da Escola Secundária de Albufeira, deu entrada na Inspeção Geral de Educação a 12 de janeiro e deu origem a um despacho, de 14 de março, em que o docente Paulo Moreira, que dá aulas do curso profissional de Artes do Espetáculo a alunos do 10º e 12º ano, é suspenso por 90 dias.

O despacho, assinado pelo diretor regional de Educação do Algarve, Alberto Almeida, considera existirem “fortes indícios” de que a presença do docente na escola pode “causar agitação social” e dá como comprovada “a implementação pelo arguido de práticas pedagógicas censuráveis”. O mesmo despacho evoca a possibilidade de vir a ser aplicada “uma pena disciplinar de demissão”, dado o “grave incumprimento dos deveres profissionais” por parte do docente.

Já o professor em causa nega as acusações, sublinhando que em 12 anos de docência de teatro e 4 anos de Artes do Espetáculo jamais tinha tido qualquer queixa das suas práticas, “ao contrário do que essas mães dizem na carta à Inspeção”. Salientando que tudo partiu “de uma mãe que conseguiu arregimentar mais algumas”, o docente garante que nunca mandou despir alguém integralmente, cortar o cabelo ou ter práticas homossexuais.

“Fiz um exercício sobre confrontação dos medos em que lhes perguntei quais as coisas difíceis que eles teriam que fazer em cena e, como em anos anteriores, surgiam a nudez, os contactos sexuais ou cortar o cabelo”, observa, garantindo que “a uma pessoa que dizia que o seu maior medo era a nudez nunca pedia para se despir”.

Aos outros, contudo, pedia mas garante que nunca houve casos de nu integral ou parcial, mas apenas “situações em que ficavam em boxers ou em biquíni”. “No caso dos cabelos, no máximo cortaram-se umas madeixas e depois interrompi”, diz, reforçando que se trata de um exercício clássico de teatro em que o formador quer resolver bloqueios emocionais e “ver a disponibilidade do formando para o ato”.

Quanto às práticas de homossexualidade, o professor garante que existiram apenas dois casos de abordagem, um dos quais quando “duas alunas decidiram escrever e interpretar um sketch em que se beijavam na boca, por iniciativa própria”. No outro caso, foram dois rapazes “a quem disse para criarem um sketch sobre homossexualidade, mas não disse o que tinham de fazer. Foram eles que criaram a história, eu apenas pedi que criassem as personagens”, refere o professor.

O docente evoca ainda alguns erros processuais e lamenta que ainda não tenha sido ouvido, três meses depois da entrada do processo e um mês depois da suspensão preventiva.

Por seu turno, a Associação de Pais da escola, garante que o caso foi aproveitado para “sujar” o nome da escola e da sua direção, de forma a impedi-la de aceder à presidência da Comissão Administrativa Provisória de um novo agrupamento de escolas em constituição.

“Quando vejo como o processo foi conduzido, vejo que algo não bate certo”, disse o presidente da Associação de Pais da escola, António Dias, que critica o comportamento do Ministério, mas também das encarregadas de educação queixosas.

Segundo António Dias, as mães em causa, “que são apenas três em 22”, deveriam ter falado com a associação antes de “irem diretamente à Inspeção” argumentando ainda que os problemas deveriam ter sido resolvidos prioritariamente dentro da escola.

Sobre as práticas pedagógicas de Paulo Moreira, António Dias sustenta que ele “não teve bom senso, sobretudo porque não soube discernir entre alunos de 14 ou 15 anos e os de 12º ano, muitos dos quais já são adultos”, mas põe em causa a “dureza” e “violência” das acusações.

Liliana Lourencinho com Lusa

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