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Cerca de 30 profissionais da associação de viveiristas e mariscadores Vivmar realizaram hoje um protesto em Faro, à mesma hora e no mesmo local em que era assinada a consignação da obra do parque ribeirinho da cidade.

A associação reclama o avanço de dragagens nos canais da ria, obra que considera prioritária à que hoje foi lançada, da responsabilidade do Programa Polis da Ria Formosa e que vai custar cerca de 3,5 milhões de euros.

À margem da ocasião, o presidente da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, Manuel Lacerda, disse aos jornalistas estar certo que o projeto estará concluído dentro de dois anos, antes da extinção da sociedade, prevista para o final de 2014.

"Já temos projeto, estudo de impacte ambiental, que já está em processo de avaliação, e já reunimos o financiamento necessário", afirmou, acrescentando que o financiamento da obra – que deverá custar entre sete e 11 milhões de euros – será assegurado por fundos comunitários e nacionais.

A escassos metros da cerimónia, realizada ao ar livre, estava um grupo de profissionais da ria, empunhando cartazes onde se podiam ler frases como "A ria está a morrer, primeiro as dragagens", "A ria tem prioridade, façam os negócios depois" ou "Polis: muitos estudos, pouca obra".

"Aquilo que foi dito ali pouco interessa à Vivmar", disse Victor Lourenço, elemento da direção da associação e presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, que optou por se juntar aos manifestantes, em vez de estar ao lado das entidades oficiais.

Aquele responsável adiantou aos jornalistas que a Vivmar não iria estar presente na reunião para a qual foi convocada, pela autarquia, e que deveria realizar-se logo após a cerimónia, alegando que "não vale a pena" andar a participar em reuniões sem resultados.

"Há quatro anos que nos dizem isto [que vão avançar com as dragagens] todos os anos. O que está aqui [obra do parque ribeirinho] são negócios de terrenos. Primeiro deem vida à ria, depois deem vida ao exterior", criticou.

Apesar de considerar que a obra do parque é bem-vinda, aquele responsável sublinhou que são prioritárias as dragagens nos canais da ria e acusou o presidente da autarquia, Macário Correia, de compactuar com o Polis no atraso da obra.

"Esta obra é bem-vinda, já devia ter sido feita há muito tempo, mas primeiro temos que tratar da ria porque os bivalves nascem dentro da ria, não nascem dentro dos supermercados", concluiu.

A obra do parque ribeirinho visa criar espaços de lazer na cidade, ao longo da ria, e deverá estar pronta dentro de um ano.

Lusa

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