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A posição da associação foi manifestada depois de, a 03 de agosto, ter entrado em vigor uma portaria a proibir a utilização deste isco na costa algarvia, ao contrário do que acontece no resto da costa portuguesa, e depois de o Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul e de outras associação de armadores algarvia terem contestado a legislação.

A associação dos armadores de Tavira defende que há “uma redução drástica das capturas de polvo na costa algarvia” e uma “utilização excessiva ou indiscriminada de artes (coves)” com caranguejo vivo, em vez da habitual cavala ou sardinha, que não é fiscalizada, colocando em causa a subsistência da espécie.

“Em nosso entender, a redução das capturas de polvo tiveram origem exatamente na utilização do caranguejo como isco vivo, possibilitando a utilização excessiva de coves e sendo responsável pela crise atualmente vivida pela grande maioria dos armadores e pescadores”, justificou a APTAV num comunicado.

A utilização do caranguejo vivo permite que as armadilhas permaneçam no mar vários dias com o isco bom, enquanto o recurso à cavala e à sardinha tem uma duração limitada porque se deterioram mais rápido.

“Por falta de fiscalização das autoridades competentes, os armadores que contestam a portaria, nomeadamente os de Olhão, Quarteira e Portimão, continuam a utilizar o referido isco, bem visível a bordo das embarcações. Está a ser posta em causa uma decisão tomada por 80 por cento dos armadores e pescadores do Algarve e o futuro da pesca do polvo na região”, considerou a APTAV.

A Associação dos Amadores de Pesca de Tavira contesta assim a posição de outras associações de armadores do Algarve e do Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul (STPS), que no final de agosto criticou a portaria que proíbe a utilização de caranguejo-mouro vivo como isco para captura de polvo, por considerar que esta solução é menos dispendiosa.

Josué Marques, do STPS, considerou que a portaria em causa, aprovada a 03 de agosto e que altera o regulamento da pesca do polvo, “tem gerado a maior polémica” com a alteração de um artigo que proíbe apenas a utilização deste isco a leste do farol do Cabo de São Vicente, que disse ser "discriminatório".

O STPS frisou que a utilização de caranguejo-mouro vivo, em vez da tradicional cavala ou sardinha, “trás menos despesas para as embarcações, o que se reflete no rendimento dos pescadores”, e permite que “uma embarcação esteja três dias sem ir ao mar e quando volta tenha ainda o isco” em condições.

Relativamente ao argumento de que os armadores de embarcações de pesca do polvo estão a utilizar mais armadilhas do que as autorizadas por lei, Josué Marques considerou que “isso é um problema de fiscalização” e não dos pescadores.

Lusa

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