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O desassoreamento da barra do Guadiana é uma antiga pretensão portuguesa, mas durante anos faltou o acordo com Espanha para realizar uma intervenção que permitisse melhorar a navegabilidade do rio e explorar da melhor forma o turismo náutico, explicou Brandão Pires.

A falta de vontade espanhola em intervir parece inverter-se agora devido ao projeto de um porto de recreio com cerca de 2.000 lugares de amarração, uma "capacidade superior à de qualquer marina do Algarve", que está previsto ser construído entre a Ponte Internacional do Guadiana e Ayamonte, acrescentou o responsável do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM) do Sul.

"Uma informação relativamente nova e que provavelmente fez com que os espanhóis mudassem um pouco a sua opinião relativamente à necessidade de desassoreamento é que deu entrada um projeto de uma marina junto ao empreendimento Esuri, entre Ayamonte e a Ponte do Guadiana", afirmou.

Brandão Pires frisou que será uma marina "com uma capacidade brutal, com quase dois mil postos de amarração, ou mil e muitos".

"Significa uma marina superior a qualquer uma das que temos no Algarve, por exemplo, e isso com certeza que obrigará a que a barra do Guadiana esteja constantemente desassoreada e monitorizada e que passe a haver ali um grande foco ligado à náutica de recreio e isso favorece-nos", considerou.

O responsável do IPTM do Sul sublinhou que "até agora o interesse principal era dos portugueses porque as infraestruturas portuárias estavam mais do lado português".

"Agora, com este projeto e este interesse espanhol em explorar a náutica e em colocar este foco, pelo menos da área da Andaluzia, no Guadiana, estou convencido que vai haver um desenvolvimento muito, muito grande, do rio nestas vertentes de portos desportivos, de marinas e de náutica de recreio, por via desse grande projeto", defendeu ainda o diretor delegado.

O responsável do IPTM do Sul acrescentou que o trabalho de desassoreamento é necessário para permitir construção de infraestruturas náuticas ao longo do rio, só viáveis se as embarcações de maior porte puderem sair e entrar na barra do rio.

"Por isso tem que haver ali uma intervenção inicial e é para isso que estamos a trabalhar num acordo. Os espanhóis já nos apresentaram um estudo elaborado por eles do perfil da intervenção que é necessária ser feita ao nível do desassoreamento, por onde, a que profundidade, e é nisso que estamos a trabalhar", sublinhou.

Segundo Brandão Pires, "o total da intervenção será de dois milhões de euros", de acordo com o estudo espanhol, a suportar por ambos os países, havendo "hipótese de recorrer a fundos comunitários".

"Nós temos, em termos de realização de despesa e de enquadramento para isto, é 2013. Para mim é esse o horizonte temporal para se efetuar o desassoreamento e gastar dinheiro com esta intervenção", disse ainda o responsável.

Lusa

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