Pub

Reserva_natural_sapal_castro_marimA criação da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António foi “muito importante” para a preservação daquela zona húmida algarvia, mas o seu potencial turístico continua por desenvolver, diagnosticou a Quercus.

Assinala-se hoje o 39.º aniversário da criação da segunda área protegida do país e a associação de conservação da natureza Quercus aproveitou a efeméride para fazer um balanço do trabalho desenvolvido na reserva, que tem como ponto menos positivo o “subaproveitamento” das potencialidades turísticas, ligadas sobretudo ao turismo de natureza e à observação de aves.

A Reserva Natural do Sapal Castro Marim e Vila Real de Santo António é uma zona húmida situada no estuário do rio Guadiana, onde, segundo a Quercus, há “registo de ocorrência de 169 espécies regulares e 17 espécies ocasionais, na sua maioria aves aquáticas com elevado valor de conservação, como o pernilongo, o colhereiro, o flamingo, o alfaiate, o alcaravão, a andorinha-do-mar-anã e a calhandrinha-das-marismas”.

“A análise que fazemos é positiva. A reserva conseguiu, ao longo destes anos desde a sua criação até agora, manter todos aqueles habitats num estado de conservação favorável, conseguiram-se proteger os principais valores naturais presentes e a única coisa que fica a destoar neste quadro positivo é de facto a falta de aproveitamento das potencialidades turísticas que a reserva pode oferecer”, afirmou Paulo Lucas, coordenador do grupo de trabalho da Biodiversidade da Quercus.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Lucas disse que “fazia já muito sentido a reserva ter melhor aproveitamento em termos de visitação”, porque a exploração das potencialidades ainda “está muito aquém” da necessária para atrair um “turismo de baixa densidade” que permita aos turistas terem contacto com “um espaço único e espécies que não têm oportunidade de conhecer noutras zonas do país”.

Paulo Lucas reconheceu que o espaço natural tem ainda potencialidades económicas em atividades tradicionais, como a “produção artesanal de sal marinho e flor de sal certificadas ou a produção de peixe certificado” em aquacultura de baixa intensidade, que devem “ser apoiadas por programas públicos” para garantir que se mantém a qualidade e singularidade dos produtos.

“Tudo o que seja intensificação de produção preocupa-nos porque podemos estar a causar danos irreversíveis naqueles habitats naturais e a afastar as espécies que ali estão presentes. Somos apologistas de uma gestão de baixa intensidade, de atividades económicas compatíveis com a sensibilidade daquele meio”, defendeu.

Paulo Lucas advertiu que basta o aprofundamento de tanques, como o efetuado por empresas de aquacultura já instaladas na área da reserva, para criar “níveis de água superiores aos que as espécies aquáticas necessitam” e fazê-las afastarem-se da zona.

Pub