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Ria_formosaA associação ambientalista Quercus manifestou-se ontem indignada com os níveis de poluição na Ria Formosa e exigiu a construção urgente da estação de tratamento de águas residuais Faro/Olhão, para evitar as interdições recorrentes de captura de bivalves.

“Estas interdições têm como causa a poluição oriunda das estações existentes que não cumprem, pontualmente, os parâmetros legais, ultrapassando em mais do dobro os parâmetros considerados aceitáveis de quantidade de coliformes fecais”, disse à agência Lusa Fernando Dias, do Núcleo Regional do Algarve da Quercus.

Na opinião do representante, para solucionar o problema da poluição na Ria Formosa “é fundamental que seja atribuído caráter de urgência” ao investimento da nova estação de tratamento de águas residuais (ETAR) intermunicipal de Faro/Olhão.

“É inadmissível que, volvidos três quadros comunitários de apoio a Portugal e à região do Algarve, ainda subsistam redes de esgotos degradadas e estações de tratamento obsoletas”, destacou.

A nova ETAR intermunicipal Faro/Olhão, cujo funcionamento está previsto para 2016, agregará diversas redes e substituirá as ETAR Poente de Olhão e Nascente de Faro.

A obra, cujo processo de Avaliação de Impacte Ambiental se encontra na Agência Portuguesa do Ambiente, tem um investimento estimado de 14 milhões de euros, que será suportado pela empresa Águas do Algarve, devendo o concurso público internacional ser lançado até ao final deste ano.

Fernando Dias defendeu que, sendo a poluição causada por incumprimento dos municípios de Faro e de Olhão, “devem ser estes a indemnizar” os mariscadores e viveiristas pelos danos sofridos com as recorrentes interdições para a apanha de bivalves.

“Dado que estes estão impedidos de exercer a sua atividade económica, deveria aplicar-se o princípio do poluidor-pagador e as regras mais elementares de responsabilidade social e ambiental”, concluiu o responsável da Quercus.

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