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Quercus exige estudos de impacto ambiental para exploração de gás e petróleo no Algarve

Gas_natural_chamaA Quercus exigiu ontem a realização de estudos de impacto ambiental para quaisquer eventuais explorações de gás natural e petróleo no Algarve, projetos que, a avançar, serão um “péssimo ‘cartão de visita’” para a região.

Em comunicado, a Associação Nacional de Conservação da Natureza – Quercus mostrou-se “muito preocupada com as notícias (…) de que estará iminente a exploração de gás natural e de petróleo no Algarve” e alertou que “a situação é ainda mais preocupante quando se sabe que não foi realizado qualquer estudo de impacto ambiental, nem ponderadas quaisquer medidas de minimização dos impactos ou medidas de atuação em caso de eventuais desastres ambientais”.

No início deste mês, o presidente da multinacional espanhola Repsol, Antonio Brufau, afirmou, depois de um encontro com o Presidente da República, que a companhia vai iniciar a perfuração e prospeção de gás natural no Algarve no próximo ano.

A Quercus salientou que “que o impacto de um eventual acidente que ocorra numa exploração deste género, mesmo que pontual, afetaria irreversivelmente ecossistemas únicos e frágeis, bem como diversas espécies, incluindo aves marinhas, baleias e golfinhos”.

“A Quercus considera que um projeto desta natureza deve ser muito bem justificado do ponto de vista económico e se os ganhos imediatos daí derivados são relevantes para o país, compensando potenciais riscos que podem existir, não só do ponto de vista económico, mas também ambiental e social, em caso de acidente. Para além disso, a Quercus exige que sejam cumpridas todas as normas legais de proteção ambiental, nomeadamente em sede de avaliação de impacto ambiental”, acrescentou a associação.

A Quercus alertou ainda que, caso o projeto avance, “será um ponto claramente desfavorável e contraditório ao modelo de desenvolvimento seguido nas últimas décadas para a região, assente essencialmente num turismo de qualidade, com valores naturais e paisagísticos de relevo”, constituindo um “péssimo ‘cartão de visita’ para a região e para todo o país”.

Ainda no princípio de julho, o presidente da Repsol disse haver “bons reservatórios de gás no Algarve, que estão próximos de uns que a companhia já está a explorar”.

“Queremos avançar com a exploração no Algarve e temos parceiros adequados. Estamos com a Partex, mas queremos mais um parceiro local. No caso de existir gás no Algarve teríamos de construir as infraestruturas e ter um gasoduto para Sines”, salientou ainda Antonio Brufau.

Já antes, a Algarve Surf and Marine Activities Association (ASMAA) havia lançado um abaixo-assinado contra a prospeção e exploração de petróleo e gás natural ao largo da costa da região, que recebeu perto de 5.000 assinaturas.

“Um desastre de petróleo ou gás vai deixar a nossa flora e a fauna marinhas totalmente vulneráveis e até desfeitas perante os efeitos tóxicos” daqueles produtos, disse à agência Lusa a diretora executiva da ASMAA, Laurinda Seabra, alertando para um impacto negativo na economia regional, nomeadamente nos setores da pesca e do turismo.

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