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No final da refeição que teve lugar num restaurante de Portimão, Ana Bernardino, da direção da estação, fez memória da biografia e da obra do padre Arsénio da Silva, sacerdote jesuíta, que veio para Portimão em 1975, onde chegou a ser padre-operário, tendo trabalhado na estiva da sardinha no porto de pesca daquela cidade onde deixou muitos frutos. “Um dos frutos é precisamente a RCO”, afirmou a colaboradora da rádio, ao mesmo tempo que eram projetadas algumas fotos do sacerdote ao som de uma música de Pedro Barroso, um dos cantores preferidos do falecido.

Ana Bernardino, que lembrou que “não foi só a rádio que ficou como palavra e marca do seu percurso terreno”, considerou “imprescindível” olhar para o “contributo” do sacerdote e “reconhecer-lhe essa persistência que se revelou fundamental” para que, ano após ano, se celebre os aniversários daquele projeto. “Deixou-nos este ano. Mas deixou-nos bem mais ricos, enquanto pessoas, do que éramos antes de ele ter passado pela nossa vida”, afirmou.

Aquela responsável, que destacou as “muitas horas” que os colaboradores voluntários doam “generosamente” à estação, constatou que a RCO “foi sempre uma escola de experiências e vivências” e defendeu que assim deve continuar. “O padre Arsénio deu sempre oportunidade a muitas pessoas de experienciar o que é estar atrás de um microfone a fazer locução e animação de rádio. Queremos continuar a fazer isso mesmo e estamos a dar voz a quem não tem voz”, indicou, sublinhando, por exemplo, o “apoio às várias associações” da cidade.

O padre Mário de Sousa, atual diretor da RCO, contrariou a ideia de que a rádio era a “grande paixão” do falecido. “A grande paixão do padre Arsénio era Jesus. Foi a Jesus que ele consagrou a sua vida e foi por causa de Jesus que ele realizou tudo o que realizou. A rádio encaixava-se nesta paixão grande na qual ele encontrou o sentido da sua vida e à qual quis consagrar todo o seu ser”, defendeu o sacerdote, lembrando que “o padre Arsénio continua presente porque não morreu” mas “apenas passou para a outra dimensão da vida”.

O padre Mário de Sousa comparou mesmo a obra do falecido a uma corrida de estafeta. “Fez a sua parte e entregou-nos o testemunho para que outros corram e um dia o possam entregar a outros que virão”, afirmou, lembrando que o padre Arsénio da Silva era a “alma da rádio” e que a “melhor homenagem” que lhe podem fazer é “não deixar morrer” os seus projetos.

O novo diretor da RCO, que agradeceu o contributo da Junta de Freguesia de Portimão, dos anunciantes, da Liga de Amigos e dos ouvintes, considerou a estação como “o novo púlpito dos tempos modernos” e desejou que se faça dela um “meio de evangelização, de humanização da nossa sociedade e também, nestes tempos difíceis, um meio de esperança para quem se encontram sem horizonte e se encontra desesperado na vida”.

Também o vigário geral da Diocese do Algarve, em representação do bispo diocesano, concordou que o padre Arsénio da Silva “estava seduzido por Jesus Cristo e essa sedução é que o levou a todos estes projetos”. O padre Firmino Ferro regozijou-se com a continuidade do trabalho do falecido e agradeceu à nova direção, lembrando que “a RCO está ao serviço do bem comum e de todos”. “É importante que continue com novo ardor e entusiasmo”, concluiu.

A presidente da Junta de Freguesia de Portimão, Ana Figueiredo, lembrou que a autarquia é, desde 2005, parceira daquela rádio, cuja propriedade pertence à Diocese do Algarve e a quatro paróquias algarvias, e manifestou vontade de que assim continue.

A noite, que incluiu animação musical, contou ainda com a apresentação da nova imagem da rádio e de alguns dos cerca de 35 colaboradores voluntários da estação, bem como da nova grelha de programas. Por fim, cantaram-se os parabéns e apagaram-se as 18 velas do bolo de aniversário.

Samuel Mendonça

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