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Reedição comemorativa do primeiro livro impresso em Portugal foi apresentada no Seminário de Faro

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Foto © Samuel Mendonça

Decorreu na passada sexta-feira, no Seminário de São José de Faro, a apresentação de uma reedição do “Pentateuco” (conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia: Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio), o primeiro livro a ser impresso em Portugal.

A nova edição ‘fac-simile’ da publicação, impressa em Faro em 1487 por Samuel Gacon, conta com um estudo introdutório de Manuel Cadafaz de Matos, antigo docente da Universidade Católica Portuguesa e membro atual da Academia Portuguesa da História, doutorado sobre a história da imprensa e a história do livro com atividade científica nessa área.

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Foto © Samuel Mendonça

Esta republicação, comemorativa dos 530 anos da impressão do “Pentateuco”, resultou da parceria entre a editora algarvia “Sul, Sol e Sal” e o Círculo Teixeira Gomes.

Na sessão de apresentação, que contou com a presença da embaixadora de Israel, Manuel Cadafaz de Matos explicou que Portugal, “apenas 37 anos depois de Gutenberg e Fust (1450), consegue implementar à comunidade de Faro o primeiro prelo e os primeiros conjuntos de caracteres móveis”. “Faro tem as primícias perante a sociedade culta da Europa e mundial”, destacou o historiador, considerando que “a Europa culta deve estar grata a Samuel Gacon”, o homem que admitiu ser – segundo a opinião de alguns historiadores – “o porteiro da comunidade judaica”, por ter sido “um homem de cultura que teve a visão de que a reprodutibilidade técnica era o elemento fundamental para o progresso social”.

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Foto © Samuel Mendonça

O investigador – que lembrou o trabalho realizado entre 1989 e 1991 para fazer a primeira reprodução ‘fac-simile’ a partir do único exemplar conhecido do “Pentateuco”, levado em 1596 pelo conde de Essex, Robert de Devereux, da biblioteca do bispo do Algarve, D. Fernando Martins Mascarenhas, para a British Library de Londres – considerou que, “no plano da história, da ciência e da técnica, Faro deu um grande exemplo à humanidade ocidental”.

O autor frisou que o presente estudo, terminado em 1991 e que nesta reedição também tem tradução em inglês, corresponde ao conhecimento que tinha do “Pentateuco” entre 1986 e 1990. “Continuei durante toda a minha vida a estudar o «Pentateuco». Tenho mais 17 trabalhos que irão constituir um volume autónomo de estudos judaicos, só sobre a problemática bíblica e aí é que faço uma apreciação aprofundada”, acrescentou.

Justificando a escolha do primeiro livro a ser impresso, o investigador explicou que em 1487 a comunidade judaica em Faro “tinha os seus valores de crença e comportamentais civis e, através dos seus mentores, tinha uma preocupação de herdar dos principais teóricos do pensamento judaico os seus tratados manuscritos”. Manuel Cadafaz de Matos considerou que aquele conjunto de livros da Bíblia constitui um “código de valores” tanto para cristãos como para judeus.

A embaixadora de Israel, Tzipora Rimon, lembrou também na sessão “a herança judaica e a contribuição da sociedade portuguesa”, considerando aquele acontecimento “tão importante para a história de Portugal como para a história do povo judeu”.

O bispo do Algarve manifestou o orgulho na edição original do “Pentateuco”, “não por pertencer à diocese, mas por pertencer ao Algarve” e lembrou que a Igreja se interessa “por tudo aquilo que tem a ver com cultura”. “Sabemos, como Igreja – que não é apenas o bispo, mas todos aqueles que pertencemos a ela –, que somos protagonistas, que devemos preservar, defender e desfrutar de tudo aquilo que é cultura. A cultura do Algarve tem a ver connosco”, afirmou.

A editora, representada na sessão por Manuel de Brito, considera que “a impressão do «Pentateuco» é um acontecimento que engrandece a região e é símbolo do peso da cultura algarvia à época”.

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Foto © Samuel Mendonça

A sessão, participada também pelo presidente da Fundação Portuguesa das Comunicações, Luís de Andrade, incluiu também a apresentação de uma publicação sobre o saque do conde de Essex, intitulada “Uma grande aventura… No rasto do tesouro perdido”, escrita e ilustrada pelos alunos das escolas básicas do Alto Rodes e do Carmo do Agrupamento D. Afonso III, em Faro.

No final da apresentação, participada também por membros do corpo consular acreditado na região, por representantes da Comunidade Judaica e pelo presidente da associação Ibn Qasi entre outros presentes, os participantes que compareceram em grande número, puderam ainda visitar a biblioteca do Seminário de Faro.

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