Pub

Em declarações à FOLHA DO DOMINGO, o presidente da instituição informa que, até 31 de julho, os números oficiais indicam 1952 jantares fornecidos. Carlos Oliveira explica, no entanto, que durante muitas semanas, mercê da maior disponibilidade das escolas parceiras do projeto, os utentes levaram para casa, para além do jantar, também o almoço do dia seguinte e essa refeição suplementar não foi contabilizada.

Esta valência da Caritas algarvia, que retomou atividade no passado dia 11 deste mês, após ter sido suspensa em agosto e setembro para “reorganizar os serviços”, funciona na sede da instituição, na rua Brites de Almeida, em Faro, em complementaridade com respostas de outras instituições da capital algarvia como a Santa Casa da Misericórdia (que proporciona almoços), o CASA – Centro de Apoio ao Sem Abrigo ou a paróquia de São Pedro (que facultam jantares noutros dias da semana),

O Refeitório Social, que funciona em sistema de “take away”, começou por fornecer refeições a 40 utentes por dia, mas rapidamente chegou a uma média de quase 50 beneficiários. “Foram aparecendo mais pessoas com o aproximar do verão. Podem ter sido passantes, mas também residentes que nos procuraram porque as escolas fecharam e tiveram necessidade de alimentar aos filhos que eram apoiados pelo SASE – Serviços de Ação Escolar”, testemunha Carlos Oliveira.

As refeições são doadas por escolas, parceiras da Caritas algarvia neste projeto, que oferecem o excedente confecionado nos seus refeitórios e que antes ia diretamente para o lixo. São elas a Escola de Hotelaria e Turismo de Faro, a Escola EB 2.3 Dr. Joaquim Magalhães, a Escola EB 2.3 Dr. José Jesus Neves Júnior e a Escola Secundária de Pinheiro e Rosa.

Aquele responsável reconhece que a instituição tem dificuldade em assegurar jantares a mais pessoas, se por ventura a procura continuar a aumentar, como prevê que venha a acontecer. “As perspetivas que temos em relação ao futuro próximo não são nada animadoras. Tudo indica que as pessoas vão ficar de tal maneira «sufocadas» que vão ter de optar entre o pagamento de rendas de casa, água e luz e a alimentação”, augura, destacando que “são as instituições como a Caritas que vão ficar na retaguarda para atender essas ocorrências”.

E o aumento da procura de ajuda sente-se também ao nível das restantes respostas sociais que a Caritas algarvia dá designadamente para pagamento de alojamento, medicamentos, água, luz ou gás. O presidente da instituição explica que até agosto deste ano já tinham sido feitos 901 atendimentos, o que representa já um aumento de 20% em relação a 2010, ano que, por sua vez, já tinha tido um aumento de 90% em relação a 2009. “A Cáritas não irá ter capacidade de resposta para as solicitações que lhe vão aparecer”, adverte Carlos Oliveira.

A juntar a esta situação, o presidente da Caritas algarvia lamenta uma redução dos alimentos provenientes do PCAAC – Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados. “No dia em que fomos levantar a segunda entrega deste ano –, quando já tínhamos tudo estruturado de acordo com o valor inicialmente indicado pela Segurança Social –, foi-nos informado que as massas foram reduzidas em 40%”, relata aquele responsável, garantindo não ter sido dada qualquer justificação para o corte.

A Caritas do Algarve conta entretanto com nova direção que tomou posse, no passado dia 5 deste mês, para o triénio de 2011/2014 e que continua a ter como assistente o padre Carlos de Aquino. Para além de Carlos Oliveira, que continua como presidente, a nova direção é composta por Albino Martins (secretário), Isilda Maria Delfino (tesoureira), Olívia Galante (vogal), Luís Henriques (vogal), irmã Cristina Novo (vogal), Jessy Cerqueira da Silva (suplente). O conselho fiscal é composto por Maria Antonieta Carneiro (presidente), Vanda Rosa (vogal), Rita Chaves (vogal).


Samuel Mendonça
Pub