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Situada no topo de uma colina com vista privilegiada para a cidade de Loulé, na Goldra, a "Quintinha" acolhe animais há dez anos, mas a falta de condições levou a proprietária a anunciar o seu encerramento para maio.

Ali têm chegado todo o tipo de cães: desde os "rafeiros" a cães de caça ou de raças como o "cocker", "doberman", pastor alemão ou cão de água, abandonados sobretudo nas férias ou durante as festas.

"A Páscoa e o Natal são as piores alturas", diz Ingrid, voluntária há sete anos, que refere que há muitos cães de caça abandonados e que os "de raça" são muitas vezes largados na rua porque os donos "se mudam ou divorciam".

"É preciso sensibilizar as pessoas para este problema", disse à Lusa a norte-americana, que vive em Portugal há nove anos mas que se prepara para voltar a Connecticut, sua cidade natal, nos Estados Unidos.

Apesar de não dispor de muito boas instalações, o refúgio alberga e dá alimento a 90 cães e 30 gatos cujo destino seria estarem na rua, mas a grande preocupação de Ingrid é agora tentar dar-lhes uma casa.

Depois de a dona do refúgio ter regressado a Inglaterra, de onde é natural, por motivos de saúde, ficaram a tomar conta do refúgio dez voluntários, que se esforçam para conseguir fazer face às despesas que rondam os três a quatro mil euros mensais.

"Precisamos de alimentar os animais, levá-los ao veterinário e de medicamentos para os que estão doentes", sublinha Ingrid, apelando à solidariedade de quem quiser ajudar com donativos, camas ou mesmo cobertores para os animais.

Ingrid quer ainda lançar uma "campanha de socialização dos animais", convidando quem quiser a ir ao centro buscá-los, passar tempo com eles ou levá-los a passear, mesmo que não os adotem, para que estes se habituem a pessoas.

"Estes animais convivem a maior parte do tempo com outros animais e é preciso que contactem mais com pessoas porque assim aumentamos a probabilidade de que sejam adotados com sucesso", refere.

A voluntária – que tem sete cães e cujas paixões são os animais e o Ioga -, diz ainda que os animais só são entregues para adoção a famílias que provem que têm condições para cuidar bem deles.

"Quiseram adotar um rafeiro alentejano mas nós recusámos porque percebemos que o cão ia estar sempre preso por uma corrente", sublinha, dizendo que antes de dar um animal entrevista sempre as pessoas e visita as suas casas.

O importante agora, diz, é conseguir até ao fim de maio que todos estes animais ganhem um dono, porque as outras instituições enfrentam problemas semelhantes e Ingrid recusa-se a optar pela via da eutanásia.

"Isso não vamos fazer nunca", frisa, acrescentando que já está em contacto com instituições na Alemanha e Holanda para acolher alguns dos animais e que até lá ela e os outros voluntários farão tudo para salvar os animais.

Lusa

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