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Regadio no Algarve sem restrições, mas próximo ano pode ser difícil

Foto © Luís Forra/Lusa

As culturas de regadio no Algarve não estão a ser afetadas pela seca, mas pode haver dificuldades no próximo ano caso volte a chover pouco, alertaram hoje responsáveis pelas maiores associações de regantes da região.

Portugal continental continuava em março em seca meteorológica, tendo-se registado um aumento nas classes severa e extrema em consequência dos baixos valores de precipitação, começando já a haver sinais de seca extrema no leste (sotavento) algarvio, entre Faro e Vila Real de Santo António.

Segundo um responsável da Associação de Beneficiários do Plano de Rega do Sotavento, que abrange os concelhos de Castro Marim, Vila Real de Santo António, Tavira e Olhão, este ano há reservas de água para sustentar as culturas sem restrições, mas o próximo ano será de “grandes dificuldades” se voltar a não chover.

Em declarações à Lusa, Pedro Nascimento recordou que, em maio passado, “choveu mais do que no ano todo” de 2018 e as barragens do sotavento (Odeleite e Beliche) ficaram “numa situação melhor do que as do barlavento [oeste]”, dispondo atualmente de “níveis razoáveis”, com “cotas de cerca de 50%”, que são suficientes para assegurar o ano de rega.

“Mas estamos muito preocupados, porque se este ano não chover bastante no resto da primavera e a barragem não subir para níveis mais elevados, nós, para o ano, se for um ano seco, estamos aqui em grandes dificuldades”, alertou.

Além da redução da água para rega em caso de não haver mais chuva, o dirigente apontou outras razões que elevam o nível de preocupação da associação, nomeadamente uma maior utilização do plano de rega por parte de novos produtores e a existência de um número de proprietários que gostavam de aderir ao plano, mas têm propriedades foram do perímetro de rega.

“O plano de rega cada vez é mais utilizado, a agricultura de facto sofreu um forte desenvolvimento nestes últimos dois a três anos, há imensas plantações novas, sobretudo citrinos e abacates. São pomares que neste momento gastam muito menos água do que gastarão dentro de um ano ou dois, porque as árvores vão crescendo e precisam de mais tempo de rega”, exemplificou.

A outra preocupação da associação prende-se, segundo o dirigente associativo, com a existência de “imensas pessoas que têm terrenos fora do perímetro, querem fazer agricultura de regadio e não conseguem”.

Quando foram feitas as barragens de Beliche e Odeleite, referiu Pedro Nascimento, falava-se numa terceira hipótese, que seria a barragem da ribeira da Foupana: “Isso depois caiu um bocado no esquecimento, mas na verdade, aqui para a zona do sotavento, a barragem da Foupana era essencial e imprescindível”, considerou.

No lado do barlavento algarvio a situação é semelhante, não havendo, para já, preocupações no que toca à agricultura de regadio, já que as reservas de água existentes nas barragens do Arade e do Funcho são suficientes para garantir um ano normal de rega aos agricultores.

“Felizmente, temos reservas de água que conseguem garantir um ano normal de rega. A campanha de rega para este ano não está em perigo, porque a barragem do Funcho dá garantias caso falte água na barragem do Arade”, indicou à Lusa o presidente da Associação de Regantes e Beneficiários de Silves, Lagoa e Portimão, João Garcia.

Porém, o responsável notou que a pouca pluviosidade registada nos últimos meses, “tem criado dificuldades à gestão da água”, originando a que a associação iniciasse mais cedo o fornecimento aos beneficiários do plano de rega daquela zona do oeste algarvio.

“Ao contrário do que é habitual, este ano tivemos de iniciar o fornecimento no final de fevereiro, quando num ano normal é feito apenas no final de maio”, referiu, acrescentando que, no último mês, “foram fornecidos cerca de um milhão de metros cúbicos de água aos agricultores, valor que não estava nas previsões para esta altura do ano”.

Embora estejam garantidas as reservas de água para sustentar as culturas, na sua maioria de citrinos, dos beneficiários do plano de rega, os problemas maiores refletem-se nos regantes que estão fora desse perímetro e que utilizam furos artesianos.

“Em março e porque os lençóis freáticos estão muito baixos, vários agricultores fora do perímetro de rega estavam a bombear água a cerca de 120 metros de profundidade. Ora, se em março a água está a esta profundidade, quando chegar o mês de agosto muitos desses furos não terão água, o que, certamente, será um grande problema para as culturas”, sublinhou.

Segundo João Garcia, a falta de chuva aliada às altas temperaturas verificadas no Algarve “tem alterado o ciclo das plantas e o ciclo normal de produção, o que provocará quebras na produção, com o aumento do custo de produção a refletir-se no consumidor”.

“Se os agricultores iniciam mais cedo a rega, com o recurso a bombas, com gastos de eletricidade, é natural que o custo de produção aumente e se reflita ao consumidor”, concluiu.

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