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Segundo o investigador Domingos Xavier Viegas, responsável pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Lousã, o documento concluiu que houve falta de meios de combate e de aceiros, bem como falhas do comando na perceção da localização do fogo e na previsão da evolução das chamas.

“Por aquilo que vi e ouvi das palavras ditas pelo professor Xavier Viegas, percebi que aquilo que eram as nossas preocupações, aquilo que eram as nossas certezas, elas parecem-me estar contempladas no relatório apresentado ontem [segunda-feira]”, afirmou Jaime Soares.

Apesar de ainda aguardar o envio do relatório, o presidente da Liga dos Bombeiros diz que já apresentou várias propostas no sentido de readaptar todo o sistema.

“A proteção civil em Portugal funciona como um órgão coordenador de toda a atividade da estrutura de proteção civil, mas no terreno os operacionais é que comandam”, considerou Jaime Soares, defendendo uma estrutura de comando único, para uma “intervenção logo a partir do momento zero”.

Jaime Soares afirmou que a “descoordenação não se sentiu só naquele incêndio, houve noutros incêndios este ano e já também em anos transatos, e por isso há que procurar as soluções adequadas a situações que não dão tempo de espera”.

A avaliação, elaborada a pedido do ministro da tutela, Miguel Macedo, foi entregue ao final da tarde de segunda-feira no Ministério da Administração Interna, em Lisboa.

Os incêndios na Serra do Caldeirão, entre Tavira e São Brás de Alportel, de 18 a 21 de julho, queimaram uma área aproximada de 24.000 hectares, sobretudo espaços florestais, segundo a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

O relatório independente foi pedido em agosto pelo ministro da Administração Interna, que alegou que a avaliação da ANPC não apresentava "recomendações, nem eventuais medidas corretivas a adotar em ocorrências similares".

Contactada pela Lusa, uma fonte do Ministério da Administração Interna referiu que de momento ainda não está previsto qualquer comentário sobre este assunto.

Lusa

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