Pub

Numa nota, a ANPC manifesta satisfação pelo facto de a avaliação, feita por especialistas do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, “corroborar”, em alguns aspetos, o relatório produzido pela Proteção Civil e entregue em agosto ao ministro da Administração Interna.

Entre as “condicionantes da máxima relevância” identificadas pelo relatório independente, a ANPC destaca “as condições de propagação do incêndio, as dificuldades impostas pela dispersão de edificado e presença humana, a orografia desafiante ao combate, longas distâncias a percorrer e simultaneidade de ocorrências, locais e nacionais”.

Em reação ao documento entregue no início do mês ao ministro Miguel Macedo, a Proteção Civil realça o facto de não fazer alusão a falhas de coordenação dos meios de combate, e de reconhecer a estratégia de defesa de pessoas e bens, apesar de admitir que há aspectos sem "total coincidência na apreciação dos factos".

O relatório coordenado pelo investigador Domingos Xavier, disponível no portal do Governo, diz que a insuficiência de meios de combate – bombeiros e viaturas -, associada à ocorrência simultânea de vários focos de incêndio, contribuiu para o alastramento das chamas.

O documento aponta também avarias nos aviões, falta de aceiros, dificuldade de perceção do sistema de comando da localização do fogo e falhas na previsão da sua evolução.

A equipa de Domingos Xavier destaca ainda que, “apesar do esforço de mobilização”, no incêndio do Algarve “não foi possível colocar no terreno os recursos adequados para fazer face à evolução da área ardida, com a antecedência para dominar” o fogo.

Entre as várias recomendações, Domingos Xavier Viegas propõe o uso de ferramentas de suporte para avaliar o comportamento do fogo e a preparação das populações para se precaverem das chamas, nomeadamente através de formação e equipamentos.

Sugere igualmente a criação de pontos de água, barragens ou reservatórios junto das populações para que fiquem a dispor de água, em caso de incêndio, e a melhor utilização das máquinas de rasto, tendo em conta a sua eficácia na extinção de grandes fogos.

No comunicado, a Autoridade Nacional de Proteção Civil refere ainda que as recomendações propostas vão ser analisadas no âmbito do balanço do Dispositivo Especial de Combate e Incêndios Florestais.

A avaliação independente ao incêndio no Algarve foi pedida em agosto, pelo ministro da Administração Interna, após ter recebido o relatório feito pela ANPC, que reconhecia “debilidade na coordenação ou no comando” e apontava “a insuficiência da rede viária” como um dos motivos para atrasar em três horas a chegada de meios ao local.

O ministro Miguel Macedo enviou, na terça-feira, o relatório para a Assembleia da República.

Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o maior fogo deste ano deflagrou entre 18 e 22 de julho, nos concelhos de Tavira e São Brás de Alportel, e afetou 21.437 hectares de espaços florestais, cerca de 21 por cento da área florestal ardida em 2012.

Lusa

Pub