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A celebração, com a participação de 23 dos cerca de 100 consagrados a colaborar na Igreja do Algarve, decorreu este ano na paróquia de Vila Real de Santo António por se encontrar lá em visita pastoral o bispo diocesano, também ele membro de uma congregação religiosa (Sacerdotes do Coração de Jesus – dehonianos).

Os consagrados, que conseguiram ausentar-se das suas tarefas nas comunidades, reuniram-se ainda de manhã, seguindo-se um almoço de confraternização com D. Manuel Quintas.

Após um momento de oração, o prelado apresentou uma conferência intitulada “A dimensão comunitária da fé”, na qual acentuou a dimensão eclesial da fé. D. Manuel Quintas explicou que a Igreja fortalece a fé do crente, particularmente, quando passa de uma fé professada para a fé celebrada e, consequentemente, para a fé vivida. “A fé cresce e fortalece-se na medida em que se transmite e se partilha”, explicou.

Após a reflexão, seguiu-se a celebração da eucaristia, na qual D. Manuel Quintas destacou que os religiosos, também chamados irmãos, consagrados ou missionários são “aqueles que, para além da consagração batismal, acolheram na sua vida o dom de uma particular consagração, assumindo a forma da vida de Cristo”. “Para além do batismo, como todos nós, foram chamados a uma vocação de especial consagração, assumindo na sua vida a forma de vida de Cristo, dedicando-se totalmente a Deus, disponibilizando tudo da sua vida para Deus, em todas as situações e circunstâncias”, sustentou.

O prelado acrescentou que “esta vocação deixa as pessoas totalmente livres para servir a Deus como Ele quiser e onde quiser”. “Esta dimensão da universalidade da Igreja, que se vive de maneira particular na vida consagrada, é uma riqueza muito grande e ajuda-nos a não ficarmos detidos em nós mesmos. A nossa fé é uma fé eclesial, é a fé da Igreja que tem as dimensões do mundo”, afirmou.

O prelado explicou ainda que os institutos ou congregações a que pertencem os consagrados “são diversos”, “acentuam espiritualidades, carismas”, mas “brotam todos do evangelho e todos têm a ver com a pessoa de Jesus”. “Todos, a seu modo, enriquecem a Igreja. A vida consagrada enriquece a Igreja e a nossa diocese com a sua presença”, defendeu, considerando que constituem um “apelo” à “generosidade, à doação da vida e à vivência da consagração batismal”.

“Gostaria que a sua presença constituísse para nós também apelo e interpelação a rezarmos, não apenas para que na nossa diocese haja mais padres, mas para que surjam também vocações de consagração à vida religiosa e à vida missionária”, exortou, lembrando que os consagrados “procuram ser sinal credível que ajuda a ver a presença de Cristo” no mundo.

A eucaristia ficou ainda marcada pela renovação da consagração dos religiosos e pelo gesto, de cada um, de acendimento de uma vela no círio pascal em sinal da “comunhão na mesma fé e da consagração da própria vida”. “A estes consagrados que têm acesa a chama, não apenas na mão mas também no coração, gostava de lhes pedir que continuassem a ser luz na nossa Igreja diocesana, sobretudo a partir de cada uma das vossas comunidades e do serviço que sois chamados a prestar. Peço-vos para irdes e fazerdes frutificar a vossa espiritualidade e o vosso carisma com que hoje sois chamados a enriquecer a nossa Igreja diocesana”, pediu-lhes D. Manuel Quintas.

O Dia do Consagrado coincide com a festa litúrgica da Apresentação do Senhor, a 2 de fevereiro, quando se evoca o momento em que Jesus, com poucos dias, foi simbolicamente oferecido a Deus no templo de Jerusalém, de acordo com as prescrições judaicas.

Samuel Mendonça

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