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Foi a primeira a chegar, antes do horário de abertura da cantina que ao almoço serve os funcionários públicos, e consigo trazia André, de sete anos, o filho mais novo e um dos “melhores alunos” da escola.

“Eu tinha vergonha mas depois pensei que era melhor vir”, assume, não só por ser comida “quente” como por ser uma preciosa ajuda para uma mãe que tem que sustentar os filhos sozinha “porque o pai não quer saber”.

Com 36 anos, vai vivendo da bondade de amigos e vizinhos enquanto aguarda pela chegada do subsídio de desemprego, uma situação “horrível”, embora a comida que leva da cantina já seja “uma grande ajuda”.

Depois de Ângela começam a chegar mais pessoas que se vão concentrando à porta da cantina municipal com sacos e “tupperwares” prontos a ser abastecidos de sopa, prato principal e fruta ou iogurte para sobremesa.

“Ainda há muita vergonha em aceitar comida de uma cantina social”, refere à Lusa a vereadora de Ação Social da Câmara de Albufeira, Marlene Silva, que acredita que gradualmente irão chegar às 200 refeições por dia.

A funcionar desde segunda-feira, a cantina serviu no primeiro dia 58 refeições. No segundo o número subiu para 82. E a tendência é continuar a aumentar até porque o projeto “é para manter”, diz a vereadora.

As pessoas com direito às refeições na cantina, aberta diariamente, incluindo fins-de-semana e feriados das 18:00 às 20:00, foram previamente sinalizadas pelos serviços da autarquia em parceria com instituições sociais.

O número de voluntários, fundamentais para a missão de alimentar as famílias carenciadas, também não para de aumentar. Na segunda-feira, dia da abertura, havia 54 inscritos e ao terceiro dia já eram mais do que 100.

Apesar de poderem comer na cantina a maioria das pessoas opta por levar a comida para casa, situação que não surpreende Hélder Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Albufeira e um dos mentores do projeto.

“As únicas pessoas que comem aqui são os sem abrigo”, sublinha, admitindo que possa haver muito mais pessoas a precisar deste apoio mas que não o fazem por vergonha e com receio de se exporem.

É que não são só os desempregados ou os sem abrigo a precisar de ajuda. Muitas pessoas com emprego e que até há poucos anos viviam razoavelmente bem estão agora com dificuldades devido aos empréstimos que contraíram.

Lusa

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