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A uma semana do fim do prazo dado pela Orbitur para a saída dos residentes no parque de campismo de Quarteira, os utentes queixam-se de não terem para onde ir, embora a empresa sugira mudarem para outro parque.

Em causa está a venda do terreno pela Orbitur – empresa que gere a maior parte dos parques de campismo portugueses – a um fundo imobiliário, em 2008, mas o parque manteve-se em funcionamento até agora através de um contrato de arrendamento que se vinha renovando anualmente.

Em comunicado enviado à Lusa, a empresa adiantou que o encerramento chegou a estar anunciado para setembro de 2019, mas que houve “uma extensão da utilização” e os clientes foram “notificados que as condições especiais de acordo mensal terminariam a 31 de marco”, não havendo garantias da “continuidade da gestão do espaço” para além de 15 de abril.

“Até agora, a única informação que temos é que o parque vai fechar no dia 15. Com o estado de emergência, não temos para onde ir”, queixou-se à Lusa um dos 20 residentes do parque, situado no concelho de Loulé, no distrito de Faro.

Miguel Matias adiantou ainda que o valor da mensalidade aumentou para “200, 300 ou até 500 euros” no início do mês de abril, valor que “não é possível pagar”.

“Eu tenho duas crianças pequenas e não posso ir para a rua, onde não há água, não há eletricidade. Ficamos cá todos no parque”, insistiu.

Com o estado de emergência decretado pelo governo a vigorar até ao dia 17 de abril, o campista defendeu que até essa data os 20 residentes “não vão sair”, mesmo com a data limite dada pela administração do parque a terminar “dois dias antes”.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, confirmou “estar a acompanhar” o processo adiantando que “ninguém pode contrariar o que o estado de emergência impõe e que ninguém sairá enquanto vigorar este estado de exceção”.

Considerando que uma saída posterior dos utentes “é inevitável”, revelou que os serviços municipais estão a acompanhar o processo e a fazer um levantamento dos casos, “que ainda não está completo”, e até ao momento apenas foi encontrada “uma situação possa figurar um problema social”.

Em comunicado, a Orbitur indicou que a declaração do estado de emergência apenas apanhou de surpresa os clientes do parque “que, ou não quiseram, ou por motivos pessoais não puderam sair”, o que poderiam ter feito, para outro parque da sua rede no Algarve com as mesmas condições, como o parque Valverde, em Lagos.

Quanto à alteração dos preçários, a empresa afirmou que “nenhum preço foi inflacionado” e que “todas as condições e preços a vigorar foram antecipadamente conhecidas” pelos clientes.

“Os clientes sempre foram informados do que se passava, para além de que sempre cumprimos com as nossas obrigações”, sublinhou a mesma fonte.

A Orbitur afirma, ainda, estar “solidária com a situação dos clientes”, não tendo exigido “qualquer pagamento”, porque “precisa que os clientes saiam quando terminar o estado de emergência”, para que possa cumprir com a responsabilidade perante o proprietário do terreno.

Devido à pandemia de covid-19, Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.

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