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Referindo-se ao tema “Intervenção cultural em contexto”, o orador aludiu à necessidade de “redescobrir a alma da catedral”. Neste sentido, evidenciou que “de nada vale conservar os edifícios se não houver quem os habite”, defendendo que “deve haver reflexão acerca destes lugares se encontrarem vazios”. “Temos de descobrir os modos de viver as catedrais agora”, observou, lamentando que as sés tenham perdido os seus cabidos como “corpos omnipresentes especializados”.

Com vista à valorização do espaço catedralício, Marco Daniel Duarte apelou à incrementação de “programas religiosos” em alguns momentos do ano, de “celebrações específicas”, de uma “ornamentação cuidada”, à intensificação da utilização da sé episcopal pelo prelado e à necessidade de visitas às sés fazerem parte do itinerário catequético, assim como a implementação de visitas em grupos organizados como “filão a explorar” no âmbito do sistema educativo também da catequese. Neste sentido, considerou as sés “autênticas lições de gramática artística” para as escolas.

O orador sugeriu ainda a realização de “exposições temporárias” e de “instalações contemporâneas”, por forma a promover a “relação e valorização entre artes” e defendeu as catedrais como “mecanismos de sustentabilidade económica”.

A terminar, frisou a necessidade de afirmar a “urbanidade e civilidade” a partir da catedral e apelou ao conceito de “contemplação ativa da catedral”.

José Fernando Canas, membro do grupo técnico coordenador Rota das Catedrais, sublinhou a importância de cada catedral ter um “levantamento arquitetónico completo”. Na sua intervenção, sobre o tema “Catedrais portuguesas: situação atual e prioridades de intervenção”, considerou esta, uma “ferramenta fundamental” para se “poder intervir e fazer um plano diretor”.

Aquele orador manifestou que “não é mais possível fazer intervenções avulsas”, aludindo a um novo modelo que permita “reduzir custos e tempos” e defendeu a necessidade de “lutar pela excelência das intervenções, independentemente da escala de cada sé ou dos meios de cada diocese”.

Por outro lado, sensibilizou para a “ação pedagógica” nas intervenções a realizar, respeitando as “competências” de técnicos e responsáveis eclesiais, e evidenciou que a “noção de rota implica a noção de rede”. “Cada diocese não pode só olhar para a sua catedral”, afirmou exortando à “qualidade da intervenção museológica”.

Samuel Mendonça

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