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O bispo do Algarve, que assegura que a maioria dos jovens algarvios presentes naquele encontro, “participa, a diferentes níveis, na vida das suas comunidades paroquiais”, deseja que esta participação tenha sido “reforçada” e “que, através deles, outros jovens encontrem o que lhes falta para essa integração”. “O caminho preparatório desta JMJ, percorrido ao longo do ano através de diversos encontros, promovidos pelos responsáveis diocesanos da Pastoral Juvenil, contribuíram muito para criar nos jovens a melhor predisposição para viver esta «grande festa da fé», não como meros «espetadores», mas como «atores» que se deixam «seduzir» e «guiar» pelo protagonista que é Jesus Cristo”, afirma D. Manuel Quintas à FOLHA DO DOMINGO.

O prelado, que lembra que “a avaliação dum encontro deste género é sempre parcial, já que é difícil avaliar o percurso interior de cada participante”, considera “significativo” o pedido dos jovens inscritos pelo Setor da Pastoral Juvenil da diocese algarvia, em Madrid já na conclusão do encontro, para que, à chegada ao Algarve e antes da «dispersão», presidisse a uma Eucaristia, agora «de envio» para as suas comunidades paroquiais e famílias “como mensageiros do que viram, ouviram e viveram”. “Apesar da hora (7h), do cansaço dos dias precedentes e duma noite de autocarro, esta celebração criou a predisposição para aprofundar e aproveitar o tempo «pós-JMJ»”, testemunha D. Manuel, considerando “oportuno que, ao retomar as atividades de um novo ano pastoral, fosse proporcionado a estes jovens, numa das Eucaristias dominicais, espaço e tempo para partilharem com toda a comunidade a sua experiência em Madrid”. “São algumas iniciativas, entre outras, que podem contribuir para fomentar e fortalecer a integração e participação dos jovens na vida das suas paróquias e de toda a Igreja diocesana”, complementa.

Também Nelson Farinha, diretor Setor Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ), aponta as consequências de uma participação naquele encontro. “Achamos que a participação nestas JMJ não pode ficar «fechada» só naquela semana. Os jovens terão de dar «frutos» nas suas paróquias”, destaca, anunciando a realização de um Encontro Pós-JMJ de avaliação da participação dos algarvios e que servirá como “chamada de atenção para o futuro das suas vidas pessoais e nas paróquias”. Esta iniciativa visa ainda começar a preparar a próxima JMJ no Brasil.

Também o padre António de Freitas, assistente do SDPJ, realça que “a JMJ tem que ser um ponto de partida para uma vida em missão” e aponta a necessidade de “disponibilidade não só para a vida consagrada, mas também para assumir missões nas paróquias”.

A este nível, Sílvia Agostinho, animadora de um grupo de jovens participante na JMJ, destaca que “o grupo também se torna mais forte pelo facto de os seus membros viverem juntos uma semana, sujeitos à partilha que têm de fazer uns com os outros e obrigados a superarem dificuldades em grupo”. “Essa riqueza é depois transportada para a comunidade e torna-se mais fácil agarrar neles e criar dinâmicas e motivá-los a fazerem mais”, explica aquela responsável.

O padre António de Freitas fala igualmente em sinais de compromisso e recorda a Eucaristia celebrada em Tavira pelo grupo inscrito pelo SDPJ, após o regresso de Madrid. “Muitos saíram da missa com o coração aberto e disponível, pelo menos com uma ideia de Igreja diferente. Aqui pode-se fazer também com que eles se disponibilizem e se lancem na aventura de servir, sobretudo, as paróquias. E há gente com essa vontade”, constata.

Também Nelson Farinha encontra naquela celebração, presidida pelo bispo do Algarve, indícios de esperança. “Notou-se, apesar do cansaço que era visível, que os jovens ficaram muito contentes com aquela iniciativa. Notava-se uma alegria interior muito grande”, testemunha.

O padre Pedro Manuel, sacerdote da Diocese do Algarve e responsável pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional (SDPV), também participante na JMJ, considera que “estas experiências ajudam-nos a abrir o horizonte” e a compreender que “o mundo existe para além da nossa diocese”. “Não sei se foi ponto de partida ou de chegada, sei que tudo isto, que é tudo positivo, tem sempre um problema: pode cair no excesso da aparência e do barulho”, adverte, destacando, contudo, um outro indício de que a juventude católica está comprometida na Igreja da qual faz parte. O sacerdote apresenta a sua interpretação para o grito «Esta é a juventude do Papa», muito ouvido durante a JMJ. “O grito tem duas leituras: a primeira é que os jovens do mundo estão com o Papa e a segunda é que a juventude de idade que o Papa já não tem, nós queremos representá-la. O Papa não precisa de ser jovem porque esta é a sua juventude”, afirma.

Aquele responsável do SDPV detém-se ainda na importância do compromisso com as vocações de consagração. “No primeiro dia da JMJ, o cardeal Rouco Varela disse uma coisa que é extremamente interessante que o cardeal Rilco sublinhou depois: «possivelmente muitos de vós ides-vos sentir aqui chamados à vida consagrada. Se ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis o vosso coração». Achei curioso terem começado assim a JMJ”, sublinha.

Também Jorge Humberto Ricardo, responsável pelo grupo de algarvios que, inscrito pelo Caminho Neocatecumenal, participou nos últimos dias da JMJ testemunha que os jovens regressaram muito “entusiasmados, motivados e agradecidos pela oportunidade”. “Estas peregrinações conseguem dar uma nova dinâmica a quem já caiu em situação de rotina”, refere aquele responsável na expectativa de que esta experiência contribua para reforçar a motivação já existente.

Samuel Mendonça
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