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Monsenhor Rafael Espírito Santo, disse na homilia da missa celebrada na Sé de Faro, por ocasião da festa litúrgica de São José Maria Escrivá de Balaguer, fundador daquela instituição da Igreja Católica, que se assinala no próximo dia 26 deste mês, que é preciso “criar uma nova cultura” e “uma nova moda” para “impregnar o mundo com os valores do evangelho”.

“Se nós, cristãos, vivêssemos de acordo com a nossa fé, far-se-ia a maior revolução de todos os tempos”, afirmou, citando São José Maria Escrivá, considerando que “neste terceiro milénio é hora de levar a cabo essa revolução como nunca, cada um à sua volta, mobilizando as boas vontades, tantas vezes adormecidas, dos que o rodeiam”. “É necessário falar com as pessoas com quem nos relacionamos, no tu a tu, de coração a coração, levá-las ao encontro com Cristo na oração e nos sacramentos”, complementou.

O responsável da Prelatura em Portugal referiu-se à “particular relevância” do “apostolado do sacramento da penitência numa sociedade onde se procura calar a voz da consciência”. “A isto ajuda-nos o espírito do Opus Dei, a ser bons cidadãos, bons cristãos, fiéis exemplares da nossa diocese, bons paroquianos, aqui, no Algarve”, afirmou, exortando ao testemunho da fé no âmbito da família, do trabalho e das amizades. “Deus, ao chamar-nos ao Opus Dei, ao fazer-nos aproveitar a formação que se dá no Opus Dei, ao levar-nos a ter devoção no São José Maria pretende alguma coisa. Podemos e devemos fazer mais”, complementou.

Aquele responsável considerou que “Deus interveio na história através de São José Maria”. “São José Maria animava-nos a não ficar numa atitude de lamentação pessimista. Estas crises mundiais são crises de santos e, portanto, um chamamento imperioso à santidade pessoal no apostolado. Esse é o único remédio eficaz e que está ao alcance de todos. Deus quer continuar a intervir e a tornar presente a sua força redentora em toda a parte através de cada um de nós, chamando-nos a ser protagonistas da nova evangelização”, afirmou, desafiando os presentes a “colocar Cristo em todas as atividades humanas”. “É importante que todos vivamos com intensidade o Ano da Fé, cada um, cada dia”, pediu.

Sublinhando que a festa do fundador do Opus Dei convida a “fazer um exame sincero e valente da vida”, o sacerdote lembrou as condições para “avançar no caminho da santidade”. “É condição primeira e básica que nos enchamos da força de Deus, que cuidemos a vida interior”, enumerou, exortando os presentes a serem “almas de oração que transborda, que influi no dia a dia, que gera unidade de vida”, a “recorrer aos sacramentos de modo a que transformem” e a “contemplar o rosto de Cristo e assim aprender a saber a própria vida, as pessoas que nos rodeiam e os acontecimentos do mundo com os olhos de Cristo”.

“Hoje é um bom dia para renovar o nosso empenho por cuidarmos mais a vida de oração, por se receber com assiduidade a formação, por sermos constantes e dóceis na direção espiritual, de modo a chegarmos a ter uma intimidade pessoalíssima com o nosso Deus. Muitas vezes teremos de ir contracorrente. Vivendo com a naturalidade da fé chocaremos com a mentalidade predominante, mas também daremos um testemunho vivido de ter encontrado a verdadeira alegria”, acrescentou.

A celebração teve continuidade, à tarde, com um convívio numa casa de turismo de habitação, na Fonte Santa, em Quarteira, que culminou com uma tertúlia de apresentação do livro “Miserere”, de Morais Barbosa. Na obra, o autor falecido, professor catedrático de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa, vai comentando o salmo 50 e, ao mesmo tempo, contando histórias do seu dia a dia de pai de sete filhos e de docente.

Apesar de contar com várias pessoas que pertencem à Prelatura do Opus Dei, a instituição da Igreja Católica não desenvolve um trabalho regular na diocese algarvia, limitando-se apenas a organizar círculos de formação espiritual e ascética e recoleções mensais através de formadores e de um sacerdote que vêm de Lisboa.

A finalidade do Opus Dei “consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias habituais são ocasião para um encontro com Deus, para o serviço aos outros e para melhorar a sociedade”, explica o site da instituição, presente em Portugal.

Samuel Mendonça

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