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Na sessão solene da reabertura ao culto da igreja matriz de Portimão, no passado dia 5 deste mês, José Paulo, engenheiro responsável pelos trabalhos realizados de recuperação do templo, explicou a intervenção, garantindo que a “reabilitação total da igreja” foi uma obra “complexa”.

A principal intervenção foi realizada ao nível da cobertura que, a par da infestação de insetos xilófagos, foi o motivo fundamental que levou à degradação do edifício. “Havia infiltrações pelas caleiras e ainda hoje a igreja tem marcas disso que vão continuar durante muitos anos porque as paredes ficaram absolutamente saturadas com humidade que se irá perdendo”, explicou aquele responsável, que falava no TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, acrescentando que “havia muitas zonas onde o reboco se estava a desprender”.

Com as obras, foi colocada uma subtelha que “impede que, em situações extremas, chova dentro da igreja” e a cobertura é agora composta por quatro camadas que funcionam como um “envelope exterior” que “protege todo o interior da igreja”. “Foram criados mecanismos no telhado que lhe permite ser completamente estanque”, afirmou José Paulo, referindo-se, por exemplo, aos “remates em zinco”.

O engenheiro explicou ainda que as técnicas que utilizadas para reabilitar a igreja foram “técnicas tradicionais”, como os “rebocos com argamassa de cal aérea e hidráulica”, e que os elementos estruturais em madeira de castanho no forro foram “preservados e tratados”.

José Paulo justificou ainda que as janelas góticas descobertas foram “deixadas à vista como memória de uma fase anterior da igreja”, que a antiga instalação elétrica tinha um “baixo nível de segurança” e que a luz interior foi melhorada com recurso a um sistema moderno de iluminação concebido após um estudo de uma empresa da área.

O responsável da obra referiu-se ainda ao novo estrado para o altar em vidraço de pedra de calcário cristalino e ao tímpano do altar-mor, onde foram feitos furos com a introdução de barras de aço inoxidável para proteger a igreja contra sismos.

A terminar, destacou a dedicação do padre Mário de Sousa à obra, tendo aproveitado para embelezar a igreja como são exemplo os marmoreados nos altares laterais ou a harmonização do altar-mor com novas sancas e douramentos a folha de ouro. “Tentou-se imaginar o que é que anteriormente não teria sido feito, eventualmente por falta de recursos”, justificou.

Samuel Mendonça

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