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O apoio prestado pelas três comunidades católicas, que são simultaneamente colaboradoras e beneficiárias do Banco Alimentar (BA) Contra a Fome, vai desde a doação de cabazes de alimentos à visita a idosos, doentes ou reclusos. Pelo meio há ainda o pagamento de rendas de casa, a criação de “bancos de roupas”, o fornecimento de refeições, o pagamento de medicamentos, o apoio em procedimentos burocráticos para resolução de problemas diversos (sobretudo relacionados com o acesso a direitos consignados na lei), a assistência em idas ao médico ou à farmácia, entre muitas outras situações.

Presentemente, a paróquia de São Pedro apoia mensalmente 330 pessoas, num total de 131 famílias, com cabazes de alimentos provenientes do BA, acrescidos de produtos frescos. Os fundos para conseguir manter esta estrutura de apoio são provenientes das quotas mensais de uma “liga de amigos” da pastoral sócio-caritativa. “É uma ajuda preciosa”, testemunhava o padre Manuel Rodrigues, pároco de São Pedro, no encontro do bispo do Algarve com agentes da pastoral sócio-caritativa, realizado no passado dia 23 deste mês, garantindo que “as pessoas são muito generosas”. “Toda a comunidade tem ajudado com bens pedidos pela paróquia porque o BA tem vindo a doar menos quantidade”, constatava o sacerdote, sublinhando que “está cada vez mais gente a aparecer” para pedir ajuda. “Estamos a ver que as capacidades que temos não são suficientes para todos os pedidos”, acrescentava.

Para além deste serviço, a paróquia, que assiste ainda espiritualmente os reclusos do Estabelecimento Prisional de Faro por via do seu pároco ser o capelão da instituição, fornece ainda jantares ao domingo à noite a um grupo de cerca de 50 pessoas, que inclui sem-abrigo, toxicodependentes e alcoólicos. A refeição, confecionada nas próprias casas dos elementos da pastoral sócio-caritativa da comunidade, é fornecida no salão paroquial e consiste numa sopa reforçada.

A paróquia promove ainda, na Escola EB 1 nº 2 do Carmo, um jantar de Natal com os mais carenciados da cidade, que este ano decorrerá no próximo dia 18 de dezembro e será complementado com uma ceia para os mais pobres na própria noite de Natal.

Também a paróquia de São Luís fornece mensalmente cabazes de alimentos, provenientes do BA, a cerca de 45 famílias. Para além disto, a paróquia implementou uma partilha comunitária com vista à angariação de fundos para pagar despesas pontuais a pessoas necessitadas e colabora com Refeitório Social da Caritas Diocesana do Algarve.

A paróquia da Sé apoia igualmente famílias com o fornecimento de alimentos, com fundos provenientes da venda de bolos, da anual Festa de Santo António e de donativos, e reconhece também a dificuldade de conseguir responder a outras solicitações. “Pagamos rendas de casa mas não conseguimos chegar a todos os casos”, lamentava a responsável do serviço social paroquial.

A comunidade, que conta ainda com a ação social das irmãs Missionárias da Caridade, que acolhem carenciados e têm um trabalho domiciliário junto de famílias, tem desenvolvido parcerias com a catequese para o envolvimento de crianças e jovens em dinâmicas com a pastoral social e o pároco aponta uma carência concreta. “Temos necessidade de visitadores de doentes”, constatava o cónego José Pedro Martins.

Com vista ao futuro, as paróquias de Faro sublinham a necessidade de uma maior coordenação interparoquial deste serviço com vista a evitar aproveitamentos oportunistas que retiram capacidade de resposta a casos verdadeiramente dramáticos e traçam alguns projetos a desenvolver a curto prazo nesta área. A paróquia de São Pedro quer retomar um almoço para idosos no 4.º domingo da Páscoa, o domingo do Bom Pastor, realizado noutros tempos, e implementar um serviço de atendimento médico para os mais pobres com recurso ao voluntariado de médicos e enfermeiros que ofereceram a sua colaboração. A paróquia da Sé quer promover uma tarde mensal para idosos para convívio e partilha.

Samuel Mendonça

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