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“Monte Mariposa”, “Quinta Mimosa”, “Monte na Luz”, “Monte Vivaz”, “Moinhos Velhos”, “Casa Fajara”, “Monte Velho” ou “Casa Karuna” são exemplos de montes e quintas onde se está a praticar no interior do Algarve o denominado “turismo espiritual”.

“Para aqui confluem pessoas de várias nacionalidades, com vasta experiência na área da espiritualidade e respeito pela natureza”, conta à Agência Lusa João Beles, naturopata de profissão e adepto deste turismo alternativo ao sol e praia.

Com estes programas de meditação deixa de ser necessário ir à Índia ou à Amazónia, países que praticam há séculos rituais de auto-conhecimento, adiantou à Lusa João Beles, participante em alguns encontros espirituais.

Ivone Sousa, instrutora de yoga na Quinta da Calma, em Almancil, constata que há um crescente número de pessoas no Algarve em busca de retiros espirituais e de férias na natureza.

“Há demasiados estímulos informativos, visuais e sonoros, e as pessoas sentem-se perdidas. Talvez por isso busquem a paz interior nestes sítios, voltando à natureza e às raízes”, explica.

O yoga, a meditação e o tai-chi são as atividades “zen” mais procuradas nos retiros algarvios, mas existem inúmeras terapias mais exóticas que começam também a ter procura, nomedamente por empresas multinacionais que pretendem motivar os seus trabalhadores.

As danças bio-energéticas, trance, retiros xâmanicos, inspirados em rituais ancestrais, passando por práticas de limpeza através de jejuns, banhos indígenas (temazcal) à base de vapor e ervas aromáticas como o eucalipto, lavanda, menta e rosmaninho, ou do “firewalking” (caminhar sobre brasas), são alguns desses rituais exóticos.

“São experiências poderosas que permitem o aumento do conhecimento espiritual, bem como atingir estados de consciência mais subtis”, sustenta Ivone Sousa.

Segundo aquela instrutora de yoga, todos estes pacotes “zen” têm um só objetivo: o auto-conhecimento e o despertar interior.

O presidente do Turismo do Algarve (ERTA), António Pina, classifica o turismo espiritual como “um nicho interessante, alternativo e importante” e explica que a “política” da ERTA nos últimos anos tem sido a de investir em segmentos para além do sol, mar, praia e golfe.

Todos os anos, no verão, milhares de turistas rumam ao sul, mas cada vez mais procuram fugir aos engarrafamentos, ao stress e ao buliço da metrópole, acabando por encontrar no turismo alternativo uma nova forma de aproveitar as férias.

“Temos sempre tendência a procurar a felicidade e o prazer no exterior, na euforia, mas depois ficamos cansados e afastados do que é essencial. As pessoas esquecem-se que objetivo das férias é ter tempo”, alerta a instrutora de yoga.

Lusa
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