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© Samuel Mendonça
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O vice-presidente da comissão executiva da Efacec alerta que o “amor como critério de gestão” não pode impedir as empresas de ganhar tanto dinheiro como outras que não o utilizem porque no dia em que isso acontecer, o critério, implementado pela ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores, “morre”.

Rui Diniz falava no jantar-palestra com 28 empresários cristãos promovido no passado dia 15 deste mês no Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, pelo núcleo do Algarve daquela associação.

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“Tem que ser possível meter este critério no meio da vida das empresas e, ainda assim, as empresas poderem pretender atingir objetivos ao nível das melhores. E isso é um desafio maior”, sustentou aquele economista de 40 anos, que foi durante vários anos responsável principal do escritório da McKinsey & Company em Lisboa e que refletiu sobre o tema “Portugal no Futuro à Luz do Amor ao Próximo”.

Rui Diniz diz que colocar a palavra amor na mesma frase que a palavra gestão é “desafiante” e “bom”, mas considera que “falar demasiadamente neste critério no dia-a-dia tira-lhe força”. “O que lhe dá força é nós irmos conformando a nossa ação a este critério, mas isso plasmado na forma como decidimos. Temos de conseguir que as decisões que tomamos sejam conforme este critério e isso ser bom para a empresa”, sustentou, reconhecendo a dificuldade em operacionalizar isto. “O mandamento do amor tem de ser operacional e não pode ser apenas um conceito, uma intenção”, alertou.

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Neste sentido, exemplificou com a realidade presente da Efacec que tem 4000 trabalhadores em vários países do mundo. “Estamos a passar por uma fase de reestruturação importante. No último ano saíram 900 pessoas da empresa. Estamos a fazer uma reestruturação muito forte, a vender empresas, a não aumentar salários, a não pagar bónus, com atrasos a fornecedores em alguns casos. Como é que, neste contexto, se vive este mandamento do amor?”, interrogou.

Embora reconheça não haver “soluções simples”, o economista afirmou que o caminho passa por “tratar o outro como gostava de ser tratado na mesma situação”. “Quando estou numa conversa para pessoas saírem da empresa, tento ter essas conversas com tanta abertura, transparência e candura como gostaria que tivessem comigo, mas não é possível não a ter. Se o comportamento com que gerimos o processo for exemplar, não resolve o problema de a pessoa ficar sem emprego, mas ajuda bastante”, frisou, acrescentando que “usar este critério torna sempre melhor a decisão do que tomá-la sem que ele fizesse sequer parte da equação”.

Considerando que, muitas vezes, o amor como critério de gestão “não vinga” num “horizonte temporal de curtíssimo prazo”, o orador defendeu que uma empresa que o consiga trazer para cima da mesa, “a prazo, não há razão para que não tenham ótimos resultados”. “Mais do que grandes discursos o líder católico deve, no dia-a-dia, procurar ir decidindo desta maneira e, mais tarde ou mais cedo, esta cultura vai passando”, reforçou.

Rui Diniz disse ainda que não deve haver por parte do empresário cristão em relação ao critério uma “cultura de total exigência”. “Em qualquer coisa que fazemos menos bem ou que se aplique menos este critério não devemos achar logo que estamos a falhar. Neste caso, como na nossa vida de católicos, o falhanço é diário”, afirmou, considerando que a “ajuda mútua e a oração ajuda muito a ir pelo caminho certo”.

Neste sentido destacou a importância dos grupos “Cristo na Empresa” desenvolvidos pela ACEGE. “Temos conseguido, entre nós, falar muito sobre estes assuntos. Não chegamos a soluções que sejam receitas mas chegamos a formas de pensar, a maneiras de olhar para as coisas e, nesse sentido, tem sido um caminho de grande aprendizagem e uma forma muito útil de ir trabalhando. Tem sido uma oportunidade de sentir que não estamos sozinhos neste caminho”, afirmou.

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O orador defendeu ainda um reforço da componente social das empresas aos seus trabalhadores. “Na Efacec, por exemplo, uma das coisas que fazemos é abrirmos a cantina à noite, mesmo a quem não faz as 24 horas, e percebemos que há gente que janta antes de ir para casa”, contou.

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Rui Diniz evidenciou mesmo que a responsabilidade social está ligada ao papel das empresas na economia. “As empresas grandes têm um papel muitíssimo relevante na reestruturação da economia e devem assumir esse papel. Uma das formas de o desempenharem é investindo. Que os acionistas invistam o lucro. Se fizermos isso vamos criar emprego”, concluiu.

O economista considerou ainda a emigração um “desafio maior para a família”, mas não um tema “trágico”. “Na Efacec temos perdido muitos engenheiros de 28,30 ou 32 anos para a Noruega a ganhar o triplo. É gente que vai e vai contente. Que vá, faça a sua vida e venha daqui a 10 anos fazer outras coisas”, afirmou.

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O jantar-palestra foi precedido pela celebração da eucaristia na capela daquele estabelecimento educativo da Diocese do Algarve, presidida pelo cónego Carlos César Chantre, o novo assistente espiritual do núcleo algarvio da ACEGE.

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