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Jubileu_sacerdotes_2016 (7)
Foto © Samuel Mendonça

Os sacerdotes da Diocese do Algarve celebraram ontem o seu jubileu no contexto deste Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo papa Francisco (dezembro de 2015 a novembro de 2016).

A celebração ocorreu no contexto do Dia do Clero que, anualmente, bispo, padres e diáconos do Algarve assinalam no mês de junho. Todos os anos, neste mês – habitualmente numa segunda-feira por não haver compromissos paroquiais – o clero algarvio reúne-se para celebrar a eucaristia e para passar o dia em convívio.

Neste Ano Santo, o dia serviu também para celebrar o Jubileu dos Sacerdotes, uma vez que o Jubileu dos Diáconos já tinha sido celebrado em janeiro passado.

Na eucaristia que teve lugar de manhã na igreja de Santa Maria de Tavira, uma das igrejas jubilares algarvias, o bispo do Algarve destacou alguns tópicos da homilia do papa no Jubileu dos Sacerdotes, celebrado na passada quinta e sexta-feira no Vaticano, em Roma.

D. Manuel Quintas destacou a “ligação contínua” entre a responsabilidade de “anunciar em fidelidade” o evangelho e a obrigação de escutar. O prelado alertou os presbíteros para a importância de criarem espaço “para que Deus fale”, de modo a que “seja escutado com toda a atenção”, lembrando que “Ele fala até de uma maneira intensa”. “Se o profeta é aquele que fala em nome de Deus, tem que escutar Aquele que fala senão começa a falar em nome pessoal e, em vez de realizar aquilo que é projeto de Deus para o povo, começa a realizar aquilo que são os seus projetos e começa a aparecer mais a palavra ‘eu’ do que a palavra ‘tu’”, advertiu.

Aludindo para a necessidade de cultivarem um “coração desprendido de tudo aquilo que pode ocupar o lugar de Deus”, o bispo diocesano interrogou: “Para onde é que está orientado o nosso coração?”. “Só pode ter duas orientações: uma para Cristo, outra para o povo que nos foi confiado”, alertou, acrescentando que “o coração do sacerdote tem de ser sempre um coração trespassado, antes de mais, pelo amor de Cristo”. “Significa que, contemplando o coração trespassado de Cristo, devemos deixar que o nosso fique trespassado também pela entrega a Ele”, complementou, considerando que se assim não for “o resto desvirtua-se, perde a referência, o dinamismo e a vitalidade”. “Tudo o que seja outras orientações desvirtua, tira força e fragiliza estas orientações que são essenciais e que são a razão do testemunho que somos chamados a dar, do nosso agir, de toda a ação pastoral e de todo o relacionamento com os outros”, acrescentou.

Citando o papa, D. Manuel Quintas advertiu assim que se o coração do padre não estiver “fixo” naqueles dois aspetos, “não passará de um coração «dançarino» que saltita quase como um passarinho de ramo em ramo porque não sabe onde se fixar”.

Neste sentido, o bispo diocesano evidenciou uma das finalidades deste Ano da Misericórdia para os sacerdotes. “Um dos aspetos é procurar o essencial da nossa vida, pôr de lado o acidental que tantas vezes nos ocupa, preocupa, nos cansa, nos arrasa e nos stressa”, afirmou, lembrando que Deus não abandona aqueles que escolhe e que cada um é “escolhido e amado a partir do próprio coração” de Deus. “Não nos deixa abandonados a nós mesmos, nem no que diz respeito àquilo que é o essencial para subsistir, nem no que diz respeito à nossa vocação e missão de profetas junto do seu povo. Neste coração e nesta misericórdia resplandece o amor do Pai. Cada um de nós é acolhido como é, com os fracassos, fragilidades, limitações, projetos, desejos de ser melhor e com tudo aquilo que faz parte da nossa vida”, concluiu na eucaristia que teve início com a passagem do clero pela «Porta Santa» daquela igreja jubilar, a porta do batistério, e a recitação de uma oração.

O Dia do Clero prosseguiu com uma visita a Huelva (Espanha).

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