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A história do sanatório Carlos Vasconcelos Porto, construído há cem anos no Algarve, vai estar em foco no sábado, numa conferência marcada para o Museu do Traje de São Brás de Alportel, disse a diretora regional de Cultura do Algarve.

Alexandra Gonçalves explicou à agência Lusa que o sanatório construído em São Brás de Alportel “comemora, precisamente dia 08 de setembro, 100 anos que foi inaugurado”, e a sua história vai ser abordada num ciclo de conferências que nasceu da colaboração entre várias entidades para assinalar o centenário da instituição, da febre pneumónica e do final da Primeira Guerra Mundial.

“Existe uma parceria que foi criada no início do ano, com várias entidades, em torno da Saúde e da Cultura, porque se estão a assinalar os 100 anos da [febre] pneumónica e do fim da [Primeira Grande] guerra. E resolvemos realizar num conjunto de iniciativas em torno da História, da Saúde e da Cultura”, afirmou Alexandra Gonçalves, sobre a conferência de sábado.

Com a designação “100 anos depois, ciclo de conferências Saúde e Cultura”, a iniciativa de sábado denomina-se “Santório Carlos Vasconcelos Porto, 100 anos depois”, e conta com a parceria da Câmara de São Brás de Alportel, da Universidade do Algarve (UAlg), da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) e da própria CP, que construiu o sanatório há um século, para acolher trabalhadores e familiares doentes com tuberculose.

Alexandra Gonçalves lembrou que “já houve uma conferência na Direção Regional de Cultura, e uma primeira no CHUA”, e anunciou que, no sábado, se realiza a terceira, no Museu do Traje de São Brás de Alportel, e, “a última, de encerramento, vai ser na Universidade do Algarve”, em data a designar.

“Este sanatório é um dos primeiros três privados do país, foi construído pela então Administração-Geral dos Caminhos de Ferro do Estado e tinha como função albergar os funcionários e as famílias dos Caminhos de Ferro que sofriam de tuberculose. E a tuberculose naquela altura era uma doença que matava e estava a assolar muita gente”, destacou a diretora regional de Cultura.

São Brás de Alportel foi escolhido pela sua localização geográfica, já na serra algarvia, mas relativamente próxima do litoral e de Faro, e pelos “bons ares e a paisagem tranquila”, sublinhou Alexandra Gonçalves.

A regressão da tuberculose e a diminuição do número de casos e contágios levou a que a doença “perdesse força e houvesse períodos em que o sanatório [tivesse] outras funções e [se fosse] adaptando”, chegando mesmo “a estar fechado”, embora hoje, 100 anos depois de construído, funcione no local o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul.

“É [um edifício] interessante, porque é uma construção também muito própria, tal como as construções termais ou dos hospitais de hoje, tinha um tipo de arquitetura [relacionada] com a própria doença e com a sua cura, com quartos virados a sul, janelas grandes para apanhar muita luz e muito ar, e ajudar na cura dos doentes”, acrescentou.

Estas vertentes todas vão ser “tratadas nos painéis” da conferência de sábado, que conta com “pessoas da área de arquitetura deste tipo de edifícios, como Renato Gama e a Rosa Costa, que vão precisamente apresentar um estudo sobre a arquitetura dos sanatórios”, destacou a responsável, anunciando que, após a conferência, está previsto “um momento especial, que inclui uma visita ao antigo sanatório”.

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