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Na cerimónia, que só não contou com a presença de três das 23 Misericórdias algarvias (Alcantarilha, Lagos e São Brás de Alportel), a celebração do compromisso foi constituída por uma leitura bíblica, pela proclamação das 14 obras de misericórdias e pelo juramento dos membros do secretariado regional. Seguiu-se depois a intervenção do Bispo do Algarve.

D. Manuel Quintas começou por sublinhar que “as obras de misericórdia não são algo acessório ou facultativo, mas expressão concreta do amor como obrigação portadora de felicidade”. “O nosso encontro definitivo com Cristo será considerado bem ou mal sucedido segundo a medida do esforço realizado para eliminar as situações de sofrimento e de pobreza dos homens de hoje e de todos os tempos” lembrou ainda o prelado, considerando que “o testemunho da caridade deve estender-se para além das fronteiras da comunidade eclesial”. “Quando a Igreja serve a caridade, simultaneamente faz crescer a cultura da solidariedade, concorrendo para dar nova vida aos valores universais da convivência humana”, acrescentou.

Seguiu-se depois o acto de posse com a leitura e subscrição da acta e a intervenção do presidente empossado.

Candeias Neto destacou a importância dos membros eleitos serem de três Misericórdias próximas, “o que facilitará a comunicação”. O presidente lembrou que as direcções regionais “que mais interferem na actividade das Santas Casas” – Trabalho, Segurança Social, Saúde e Educação – “podem ter um papel determinante na execução das politicas sociais regionais se o poder político assim o entender”. Neste contexto apelou à união das Misericórdias “para intervirem cada vez mais nas políticas sociais globais”.

Candeias Neto lembrou que “o trabalho das Misericórdias não se resume à acção social”. “A saúde é uma das valências que está na génese da criação das Santas Casas”, defendeu, lembrando que “as misericórdias só avançaram para a acção social quando perderam os seus hospitais”.

Considerando que “a intervenção do Secretariado junto das Misericórdias filiadas e das respectivas tutelas está muito limitado”, lamentou que os provedores trabalhem em “regime de voluntariado” e estejam “assoberbados de trabalho” e que os Secretariados estejam “desfalcados de meios financeiros e de recursos humanos”. “A UMP terá de repensar na metodologia estrutural dos apoios”, defendeu, apontando que “no momento actual é difícil satisfazer eficazmente” às solicitações que são dirigidas às Misericórdias.

O presidente empossado lembrou ainda a motivação dos utentes das Misericórdias. “As pessoas que nos procuram nem sempre querem só pão. Muitas vezes querem conformo moral e espiritual”, afirmou, lamentando nesta dimensão a falta de capelães.

A terminar, Candeias Neto defendeu, para que haja benefícios para as Misericórdias, a sua auscultação e o seu tratamento como parceiras pelos órgãos de decisão no processo de descentralização dos serviços públicos.

O director do Centro Distrital de Faro da Segurança Social destacou o “papel que as Misericórdias desempenham desde a primeira hora enquanto parceiros do Estado”. Arnaldo Oliveira realçou a “disponibilidade e coragem das Misericórdias que responderam de uma forma muito positiva ao desafio do Estado, lançando-se na construção de vários equipamentos sociais que vão melhorar a vida a muitas pessoas e famílias”.

Macário Correia, presidente da Câmara de Faro e da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, lembrou que “são milhares os empregos gerados pela Misericórdias”, a sua missão no terceiro sector da economia do país, bem como a parceria com as câmaras municipais.

O presidente do Secretariado Nacional da UMP destacou que “vivemos tempos difíceis e é sobretudo para esses tempos que as Misericórdias existem”. “Actuamos sempre em contra-ciclo”, afirmou Manuel Lemos, sublinhando que as Misericórdias são hoje “insubstituíveis” e dão directamente emprego a 50 mil pessoas e indirectamente a outros, sendo normalmente o segundo ou terceiro empregador local nas grandes, médias ou pequenas cidades.

Manuel Lemos salientou ainda a cooperação com o Estado e as autarquias como “fundamental” “porque servem as mesmas pessoas”. “Faz todo o sentido que não andemos a duplicar investimentos”, disse, apelando ainda a uma “articulação intermédia” entre os secretariados regionais e as Misericórdias.

Samuel Mendonça

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