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A última semana ficou marcada na Igreja pela oração pelas vocações de especial consagração, concretamente ao sacerdócio e à vida consagrada, este ano celebrada num contexto inédito, por causa da pandemia de Covid-19.

Na Diocese do Algarve, a iniciativa foi assinalada com um programa ‘online’ promovido em parceria pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional e o Seminário de São José de Faro e ontem, na sua conclusão, o bispo diocesano lembrou que “a pastoral vocacional diz respeito a todos, a cada cristão, a cada comunidade” e cada um “deve sentir-se responsabilizado neste serviço diocesano e eclesial”.

“Não basta rezar um dia ou mesmo uma semana. Este serviço não diz respeito apenas àqueles que o Senhor já chamou a esta vocação ou àqueles que têm esta missão na diocese e este serviço da pastoral das vocações. Diz respeito a todos e ninguém deve considerar-se dispensado. Todos somos mediadores da proposta vocacional”, afirmou na eucaristia a que presidiu na capela do Seminário de São José de Faro, transmitida em direto na internet, lembrando que para além do bispo ela diz respeito também a sacerdotes, diáconos, consagrados, pais, educadores, catequistas ou professores.

“Trata-se de um serviço que deve ser exercido com a ousadia própria de quem confia na ação do Espírito Santo, sem medo de propor de modo explícito a vocação ao presbiterado e à vida consagrada como possibilidade real, opção de vida, de realização pessoal e de descoberta do projeto de Deus para mim e para os outros”, prosseguiu D. Manuel Quintas no quarto domingo de Páscoa, em que a Igreja Católica assinala o Dia Mundial de Oração pelas Vocações a culminar uma semana com essa mesma intenção.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Dirigindo-se diretamente aos jovens, deixou-lhes um apelo: “Não tenhais medo! Eu já me apercebi que o Senhor vos chama. E até chama com muita insistência. Não tenhais medo de lhe responder”, pediu, lembrando-lhes que se Deus chama “dará o que cada um precisa para viver com fidelidade, generosidade e alegria esse chamamento”. “Do vosso sim depende que tantos recebam este dom, esta vida em abundância que nos vem precisamente da pessoa de Cristo, presente nos sacramentos que o presbítero celebra”, acrescentou.

E lembrando precisamente aqueles que “o Senhor já chamou” por também se celebrar ontem o Domingo do Bom Pastor, D. Manuel Quintas disse querer igualmente agradecer a Deus por cada um deles “pelo dom que eles constituem” para a Igreja algarvia. O bispo diocesano agradeceu “pela sua doação, pela sua entrega, pela sua vida, pelo seu testemunho, pelo seu ministério”, inclusivamente daqueles “que já estão retirados e que já dedicaram toda a sua vida ao Senhor, mas ainda, mesmo sem responsabilidades paroquiais, continuam disponíveis para ajudar os párocos das paróquias onde residem”. “E gostaria de vos convidar a rezar por cada um deles”, desafiou.

D. Manuel Quintas lembrou serem 72 os membros do clero algarvio, entre bispo e bispo emérito, 60 presbíteros e 10 diáconos. Dos 60 sacerdotes, 30 são religiosos.

O bispo diocesano agradeceu também por todas as consagradas, distribuídas por 13 comunidades, incluindo um instituto secular. “Louvamos o Senhor pelo dom que elas constituem, pelo serviço discreto, simples, mas muito eficaz”, afirmou.

No sábado à noite, durante a adoração eucarística promovida na mesma capela, o reitor do Seminário da Diocese do Algarve lembrou que a oração seria por todas as vocações que, ao longo da semana, foram sendo evidenciadas, seja a vocação à santidade, ao matrimónio, ao ministério ordenado ou à vida de especial consagração.

O padre António de Freitas lembrou de maneira particular os presbíteros e diáconos, consagrados e consagradas que na diocese algarvia “dão as suas vidas e, se calhar, sentem o cansaço da entrega, da missão, de quererem continuar, mesmo neste momento, próximos daqueles que lhes foram confiados”.

O diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional evidenciou ainda o apelo que considerou ficar da semana que passou. “Penso que o Senhor nos deixa este apelo a todos, a lançarmos a «rede» da oração pelas vocações, a «rede» de falarmos aos nossos jovens sobre o seu futuro e sobre aquilo que Deus lhes quer oferecer, a «rede» de em família abordarmos o tema das vocações, a «rede» do testemunho da vida cristã no ministério sacerdotal, na vida consagrada, no matrimónio, na santidade, para que outros se sintam atraídos a Jesus Cristo e por ele”, concretizou.

“Como é importante determo-nos mais na oração, suplicando e agradecendo as vocações, do que ficarmos apenas no lamento daquelas que não temos. Temos de aprender isto em Igreja. É mais importante o silêncio da oração que agradece e súplica do que as palavras que lamentam o que falta, o que não temos, o que devia ser”, concluiu.

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