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Na abertura da iniciativa, realizada no contexto da celebração dos 20 anos daquela instituição do nordeste algarvio e no âmbito do primeiro aniversário da inauguração do seu Complexo Social, o director do Centro Paroquial de Cachopo começou por apelar a uma “profunda reflexão” e sobretudo à partilha de experiências que “promovam a esperança e dêem consistência, altura e profundidade à dignidade humana, à prática da justiça, aos caminhos da fraternidade e da solidariedade”. Albino Martins exortou ao “despertar de cada cristão e de cada instituição para uma solidariedade responsável e impulsionadora de novos caminhos”, à “renovação de horizontes, de novas metodologias e coordenação, de novas estradas”.

Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, reconheceu que “a Igreja tem um papel importante e indissociável na componente social e na entreajuda que se dá às pessoas e é um parceiro fundamental”. “Acredito que o nível de organização que têm as instituições ligadas à Igreja fará, cada vez mais, a diferença. No Algarve temos muito boas instituições ligadas à Igreja que nos dão todas as garantias”, constatou.

Arnaldo Oliveira, director do Centro Distrital de Segurança Social, reconheceu as IPSS como “verdadeiros parceiros do Estado” que garantem no terreno a “primeira intervenção no campo da protecção social” e, admitindo que “as IPSS gerem melhor as respostas dos equipamentos sociais do que o próprio Estado”, revelou que “mais de 30% das IPSS do Algarve têm a sua génese na Igreja católica”.

Considerando ainda que “as IPSS têm um papel fundamental na rentabilização do investimento público e na valorização da relação da proximidade aos cidadãos”, salientou a capacidade daquelas instituições de “incutir uma profunda dimensão humana, capaz de fazer espaços de afectos e emoções que contribuam para a realização do bem-estar efectivo daqueles que necessitam de apoio”.

Arnaldo Oliveira destacou ainda a “luta do governo contra a pobreza e exclusão social” e o “esforço orçamental que tem vindo a ser feito na construção de uma rede de equipamentos sociais”, lembrando que o Programa PARES foi responsável por 27 novos equipamentos no Algarve (23 dos quais creches) e adiantando o “novo impulso” que vai ser dado com a construção de 18 novos equipamentos sociais no Algarve, num investimento de 30 milhões de euros com componente pública e privada.

D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve, manifestou o orgulho que sente nas IPSS da Igreja católica do Algarve “pelo serviço que prestam e pelo modo como enfrentam as dificuldades e as ultrapassam” e manifestou a disponibilidade da Igreja católica para colaborar com todas as outras instituições.

Após a reflexão de Eugénio da Fonseca [ver notícia], presidente da Caritas Portuguesa sobre o tema de fundo do seminário e o almoço, a tarde contou com a apresentação de expressões diocesanas de acção social. Para além do Centro de Bem-estar Social Nossa Senhora de Fátima, de Olhão, fundado em 1930 para acolher meninas em risco, participaram ainda a Casa de Santa Isabel, de Faro, fundada também para acolher meninas órfãs ou de rua, que conta com as valências de lar de crianças e jovens, creche e pré-escola, a Aldeia de São José de Alcalar do Centro Paroquial da Mexilhoeira Grande, com 15 anos de existência, que acolhe idosos, o Centro Paroquial Social de Santa Maria de Tavira, com 22 anos, que conta com lar de idosos, apoio domiciliário e centro de dia e a Fundação Irene Rolo, de Tavira, criada em 1982 com o objectivo de apoiar a pessoa com deficiência e incapacidade e outros públicos vulneráveis e que conta com as valências de lar residencial, intervenção precoce, centro de actividades ocupacionais, centro de formação profissional e núcleo de novos projectos. Esta última, embora não seja de cariz católico, foi convidada por não existir no seio da Igreja algarvia uma instituição com aquela finalidade.

Carlos Oliveira interveio sobre o tema do “Atendimento Social” para dizer que a “actividade caritativa não pode ser uma mera assistência social”, mas “tem de ser expressão do amor e atenção à pessoa na sua totalidade”. O presidente da Caritas Diocesana do Algarve apelou a uma “boa cooperação com o Estado, com objectivos comuns, por forma a que não se perca a identidade cristã de cada IPSS”.

O Bispo do Algarve encerrou a iniciativa exortando à organização, para breve, de um novo encontro entre as IPSS da Igreja católica e reforçando que “afirmar a identidade das IPSS da Igreja católica é prioridade para todos”.

Samuel Mendonça

Conclusões do Seminário

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