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Seminaristas e leigos do Caminho Neocatecumenal estiveram em missão no Algarve

Os seminaristas Gerardo Albert Angel (E) e Patrice Nikiema (D) • Foto © Samuel Mendonça

O Caminho Neocatecumenal enviou na última semana para todo o país 83 equipas missionárias mistas de dois elementos, compostas por padres, seminaristas e leigos, num total de 166 pessoas, tendo algumas delas vindo para o Algarve.

Gerardo Albert Angel e Patrice Nikiema, ambos de 28 anos, respetivamente naturais de El Salvador e Costa do Marfim e seminaristas nos Seminários Redemptoris Mater do Porto e de Lisboa do Caminho Neocatecumenal, integraram uma das equipas que veio para o Algarve, tendo-lhe cabido como área de intervenção os concelhos de Faro, Loulé e São Brás de Alportel.

“A nossa missão é anunciar o evangelho e temos andado na providência de Deus nestes dias”, explicaram ao Folha do Domingo, acrescentando que o trabalho missionário passou muito pela pregação testemunhal centrada nos conteúdos básicos da fé (querigma), sobretudo pelo anúncio do “sentido da cruz e do sofrimento apoiado em Cristo”. “Vimos que Deus esteve presente nesta missão e vimo-l’O manifestar-se na sua misericórdia e fidelidade porque não nos faltou. O evangelho cumpriu-se mesmo nestes dias nas nossas vidas”, destaca Patrice Nikiema, reconhecendo que não foi fácil, mas que foram “abençoados”.

“Há pessoas que nos ouviram com interesse, outras mostraram desinteresse e algumas pessoas não nos queriam ouvir”, conta Gerardo Angel, acrescentando que os seus interlocutores ficavam “surpreendidos”. “Alguns perguntavam-nos se éramos católicos porque esta forma de evangelizar quase não se vê na Igreja Católica”, explica.

Os dois missionários, que mal se conheciam antes desta experiência, participaram de 17 a 20 deste mês num encontro em Vila Nova de Mil Fontes com os restantes elementos de todo o país que foram enviados pelo Caminho Neocatecumenal. Na iniciativa, que contou com uma celebração penitencial e com uma eucaristia de envio presidida pelo bispo de Beja, D. João Marcos, foram sorteados as equipas e os seus destinos. Enviados dois a dois, como fez Jesus aos apóstolos, os missionários receberam apenas uma cruz cada um, para além dos bilhetes de autocarro de ida e de regresso a Vila Nova de Mil Fontes, para onde voltaram para fazer a partilha das experiências e celebrar uma eucaristia de ação de graças pelo que viveram.

Saíram de Vila Nova de Milfontes às 10h do dia 20, tendo chegado a Faro às 19h. Tendo permanecido no Algarve até ontem, 27 de julho, visitaram sempre primeiramente os párocos dos lugares por aonde passaram para se darem a conhecer, bem como à sua missão que foi dada primeiro a conhecer a todos os bispos portugueses. Andaram muitos quilómetros a pé ou à boleia, dormiram no Seminário de Faro, em casas de pessoas que os acolheram e até na rua e alimentaram-se daquilo que lhes deram.

Para os seminaristas dos seminários do Caminho Neocatecumenal as missões são experiências habituais. Fazem o Curso de Teologia durante cinco anos e durante a formação têm um tempo de missão a que chamam “itinerância”, sendo chamados a integrar uma equipa itinerante ou a colaborar com um padre durante cerca de dois anos. No caso do Porto, têm um ano pastoral com aulas na universidade e no Seminário Maior e aos fins de semana vão às paróquias designadas pelo bispo diocesano colaborar com os párocos. Depois da missão regressam aos seminários e ao final de oito ou nove anos de formação recebem a ordenação diaconal.

Gerardo Albert Angel, a frequentar o Seminário Redemptoris Mater do Porto desde 2008, está perto de ser ordenado diácono. Está no 5º ano do curso, já fez o tempo de missão, mas falta-lhe ainda o estágio pastoral de um ano. Conhece o Caminho Neocatecumenal desde que nasceu porque os seus padrinhos já pertenciam àquele itinerário de formação católica e a sua mãe entrou também depois do seu nascimento numa comunidade. Participou depois num encontro de todos os países da América Central com o iniciador Kiko Argüello, no final do qual foi feito um chamamento aos rapazes que gostariam de ser seminaristas. Depois de um processo vocacional foi selecionado entre 64 rapazes para participar num encontro (retiro) em Itália com seminaristas e candidatos selecionados de todo mundo. Do sorteio, que ditou o envio para qualquer parte do mundo, calhou-lhe vir abrir o seminário do Porto, inaugurado nesse ano.

O Patrice Nikiema também se tornou seminarista segundo o mesmo processo. Entrou no Caminho Neocatecumenal em pequeno na sua terra natal, tendo continuado depois no Burkina Faso (terra dos seus pais para onde tiveram de fugir por causa da guerra), onde sentiu o chamamento vocacional. “O meu discernimento foi feito numa equipa de catequistas itinerantes de lá”, lembra, acrescentando que participou em 2011 na Jornada Mundial da Juventude de Madrid com o papa Bento XVI. “Aquele encontro foi muito marcante”, recorda, tendo participado nos dias seguintes no encontro mundial com Kiko Argüello que habitualmente o procede. “Neste encontro vocacional, de uma certa forma, confirmei o chamamento”, acrescenta, tendo também participado no ano seguinte no encontro anual de Itália, tendo-lhe saído em sorte o Seminário Redemptoris Mater de Lisboa.

Depois de ordenados sacerdotes, os seminaristas do Caminho Neocatecumenal são incardinados na diocese dos respetivos seminários, devendo também obediência ao bispo diocesano.

O Caminho Neocatecumenal nasceu há 50 anos em Espanha, por iniciativa do pintor e músico Kiko Argüello e da missionária Carmen Hernández (já falecida) e é reconhecido pela Igreja Católica como um itinerário de formação católica válido para a sociedade e os dias de hoje.

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