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Alicerçada numa “visão holística” da saúde, esta intenção tem em vista a integração de todas as confissões religiosas na implementação do “projeto de humanização” dos cuidados de saúde que a assistência espiritual e religiosa contempla, procurando assegurar um apoio aos doentes internados que se reclamam de uma dessas confissões religiosas.

O Manual de Assistência Espiritual e Religiosa, apresentado no auditório do Hospital de Faro, na presença de representantes de várias Igrejas e associações religiosas, bem como de alguns médicos, enfermeiros, auxiliares e voluntários daquela unidade hospitalar, fala numa “harmoniosa relação ecuménica e inter-religiosa entre os ministros dos diversos cultos” que prestem serviço de espiritualidade nos hospitais.

Segundo o SAER do Hospital de Faro, existem atualmente, entre Alcoutim e Albufeira, 38 Igrejas e associações religiosas inscritas no Registo Nacional de Pessoas Coletivas Religiosas (RNPCR) e deverão ser essas a ter assento naquele organismo. Para isso, deverão “requerer à administração do Hospital de Faro que um ministro, em sua representação, seja credenciado e faça parte do SAER”, explicou Rogério Egídio, o assistente espiritual católico que tem trabalhado na constituição daquele serviço. Aquele responsável ressalvou que, embora presentemente só ainda estejam registados 10 ou 12 representantes religiosos, aos restantes “não lhe tem sido vedada a assistência aos seus fiéis”.

O SAER do Hospital de Faro quer ainda que seja criado um “espaço para os não católicos” e deixou às confissões não católicas presentes a garantia de que já há mesmo uma sala para esse fim no terceiro piso, com cerca de 60m2. “Foi-nos dito que sim mas a nova administração quis conhecer o espaço porque há falta de áreas de trabalho. No entanto, neste momento, o espaço continua garantido”, afirmou Rogério Egídio.

Aquele responsável avançou ainda ser objetivo do SAER organizar um “serviço de voluntários religiosos”, para “fazer a ponte entre os assistentes espirituais e o doente”, que “passará pela aprovação da administração e requererá que esta organização seja reconhecida internamente”. “Existe no Hospital de Faro um serviço de voluntários mas, segundo as orientações que tem, é mais direcionado para a dimensão social, não devendo, por isso, abordar qualquer dimensão religiosa”, sustentou.

Rogério Egídio adiantou também que, completa a fase de constituição do SAER do Hospital de Faro, será então elaborado, com a contribuição de todas as confissões religiosas que o constituirão, um plano de intervenção para a assistência espiritual e religiosa naquela unidade hospitalar.

Aquele responsável explicou ainda que, no Hospital de Faro, existem duas vagas para assistentes com vínculo contratual que estão preenchidas pela Igreja católica. Estes dois lugares decorrem da aplicação do Decreto-Lei 253/2009 que regulamenta a assistência espiritual e religiosa nos hospitais e em outros estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde e que estabelece um máximo de 400 camas para cada assistente espiritual vinculado. “O Hospital de Faro tem cerca de 500 camas, logo há lugar para dois. Neste momento, estou eu e outro assistente católico proveniente do Serviço de Pneumologia em São Brás de Alportel”, justificou.

Samuel Mendonça
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